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Tempo de Leitura: 4 min

 

 

 

 

 

 

 

 

Família Portofino,

O ano de 2022 começa com muitas dúvidas, mas com algumas certezas. Faz algum tempo, já vínhamos vocalizando nossa preocupação quanto à forma da condução da política monetária por parte do banco central americano. No fim do ano passado, o FED, na figura do seu presidente Jerome Powell, deixou claro o seu desconforto com o processo inflacionário em curso nos Estados Unidos, e em dezembro, oficializou o cenário condizente com um aumento mais estrutural dos preços.

Superada a dúvida quanto à possibilidade de a inflação ser explicada apenas por fatores transitórios, fatores esses provocados pelas restrições à produção durante a pandemia, o FED endureceu o discurso e antecipou a decisão de reduzir a injeção de liquidez na economia, o que fez com que os investidores começassem especular a respeito do início do aumento de juros.

Os mercados abriram o novo ano preocupados com a possibilidade desse início ter de ser antecipado ainda para o primeiro trimestre. Lembrando que não faz muito tempo, o consenso previa, na pior das hipóteses, o começo do processo de altas somente para o início de 2023. Adicionalmente, na semana passada foi divulgada a criação de empregos nos Estados Unidos. Analisando a série de dados chega-se à conclusão de que a economia americana não está muito distante do pleno emprego.

O mandato do FED implica em cumprir dois objetivos principais e correlacionados: garantir a estabilidade de preços em um ambiente de menor desemprego possível. A inflação ao consumidor nos Estados Unidos fechou o ano de 2021 em 7%, o maior valor observado nos últimos 40 anos. Quanto ao desemprego, após atingir impressionantes 14,7% em abril de 2020, a taxa de desemprego divulgada recentemente em 3,9% retornou para o nível observado pré-pandemia.

Os títulos americanos de 2 anos tiveram a maior subida da taxa semanal desde outubro de 2019. Essa precificação reforça que, na percepção do mercado, o FED será obrigado a elevar os juros antes do que a maioria imaginava. Cresce o consenso de que o primeiro aumento se dará ainda em março. Enquanto o S&P 500 sobe apenas 0,6% no ano depois de uma recuperação importante nos últimos dias, o NASDAQ, índice que concentra ações de tecnologia, apresenta até a última sexta queda de 2,3%. Toda a economia é afetada por aumento de juros e consequentemente do custo do crédito, mas o setor de tecnologia é ainda mais.

Isso tudo para dizer que os desafios da gestão de carteiras serão ainda maiores em 2022. E que o principal tema de investimentos em 2022 será saber se posicionar ante às incertezas de como os bancos centrais atuarão para arrefecer essa explosão disseminada dos preços de bens e serviços, mundo afora. Neste ambiente de alta de juros não só acertar a classe de ativos será suficiente para garantir uma boa performance dos portfólios. É pouco provável que tenhamos a continuidade de um mercado de tendência como o que observamos, por exemplo, nas ações americanas nos últimos anos.

O início turbulento de 2022 sugere uma volatilidade ainda maior nos mercados com crescente probabilidade de realizações importantes. De forma geral, persistimos com nossa estratégia mais defensiva favorecendo a alocação em ativos de crédito privado brasileiros com bom carregamento. Também já está em curso a realocação da nossa carteira de multimercados privilegiando os gestores adaptados a operarem mais taticamente com agilidade suficiente para se adaptarem às alterações dos cenários que certamente acontecerão.

Apesar da complexidade do cenário e todas as incertezas que o cercam, estamos confiantes e projetamos um ano positivo principalmente quando observadas as rentabilidades descontadas a inflação. Fosse de fato verdade que, em tradução menos rigorosa do mandarim, dentre os ideogramas que representam a palavra crise, existisse um que mesclasse outros dois cujos significados fossem risco e oportunidade, respectivamente. Essa seria uma boa representação do que imaginamos para 2022.

 

 

 

 

Aproveitem o final de semana!

Edu Castro
Chief Investment Officer
Portofino Multi Family Office

 

 

 

 

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Eduardo Castro é CIO (Chief Investment Officer) na Portofino Multi Family Office.

 

 

 

 

”Causa e Efeito” é um conteúdo exclusivo Portofino MFO que traz uma visão técnica sobre o que aconteceu no mundo, na semana e seus reflexos nos mercados financeiros globais.