Santa Clara, 1985: a pergunta que salvou a Intel e definiu a era dos chips para PCs

jul 7, 2026 | Investimentos Internacionais, Family Office, Lifestyle

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O que você precisa saber:

Em 1985, Andy Grove, então presidente da Intel, tomou a decisão de abandonar o negócio de chips DRAM e concentrar a empresa em microprocessadores. A escolha, executada com a demissão de 7.200 funcionários e o fechamento de oito fábricas, salvou a Intel da falência e a transformou na fabricante dominante de chips para computadores pessoais nas duas décadas seguintes.

 

 

Em meados de 1985, Andy Grove estava em seu escritório em Santa Clara com Gordon Moore. Fazia quase um ano que a Intel, então a maior fabricante americana de chips de memória, não conseguia decidir o que fazer com esse negócio, que dava prejuízo havia três anos. Grove olhou pela janela e viu, ao longe, a roda-gigante do parque Great America. Voltou-se para Moore e fez uma pergunta.

“Se fôssemos demitidos e o conselho trouxesse um novo CEO, o que você acha que ele faria?”

Moore respondeu sem hesitar: “Ele nos tiraria do negócio de memória.”

Grove: “Então por que você e eu não saímos pela porta, voltamos e fazemos isso nós mesmos?”

Aquela conversa dura menos de dois minutos no relato que Grove fez anos depois. Foi ela que encerrou doze meses de indecisão e definiu o rumo da Intel nas duas décadas seguintes.

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A guerra dos chips na década de 1980

A empresa havia inventado o DRAM em 1970. Foi esse produto que fundou a companhia e definiu sua identidade dentro da indústria, mas os japoneses estavam vencendo. Toshiba, Hitachi, NEC e Fujitsu vendiam DRAM abaixo do custo americano. A participação da Intel no mercado global de memória caíra de 83% em 1974 para 1,3% em 1984, e, em 1985, o lucro por ação foi de um centavo de dólar. No ano seguinte, o prejuízo chegou a US$ 107 milhões.

Em Chip War, o autor Chris Miller descreve o momento: “Grove percebeu que era o fim do modelo de negócios da Intel de comercialização de chips DRAM. Mesmo que o preço desses chips se recuperasse da queda, a Intel nunca recuperaria sua participação de mercado”. Acontece que a companhia havia sido ‘revolucionada’ por produtores japoneses e sair do mercado de DRAM parecia impossível. A Intel havia sido pioneira em termos de chips de memória, portanto abandonar esse negócio poderia ser interpretado como uma derrota para a companhia. Era como se a Ford resolvesse parar de fabricar carros, disse um funcionário.

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A decisão de abandonar o DRAM

A Intel fechou oito fábricas. Demitiu 7.200 funcionários, algo próximo de um terço da companhia. Abandonou os chips DRAM e concentrou-se no microprocessador, um negócio até então secundário dentro da própria empresa.

A aposta tinha um motivo. A IBM havia escolhido, em 1981, o microprocessador da Intel para equipar o primeiro computador pessoal, e contratado um jovem programador chamado Bill Gates para desenvolver o sistema operacional. Em outubro de 1985, meses depois da conversa entre Grove e Moore, a Intel lançou o 386. Recusou licenciar a tecnologia para outros fabricantes. Pela primeira vez, um chip da indústria era single-source: quem quisesse comprar 386, comprava da Intel.

Tenacidade, timing e sorte

Segundo Miller, foi a tenacidade de Grove que salvou a Intel da falência e a transformou em uma das empresas mais lucrativas e poderosas do mundo.

E como diz o ditado, a sorte favorece os corajosos, tudo se moveu em prol do sucesso nesta nova etapa da Intel. Alguns dos fatores estruturais que haviam favorecido os produtores japoneses no início da década de 1980 começaram a mudar. Entre 1985 e 1988, o valor do iene japonês dobrou em relação ao dólar, barateando as exportações dos EUA. As taxas de juros nos EUA caíram acentuadamente ao longo da década de 1980, reduzindo os custos de capital da Intel. O cenário estrutural que havia empurrado a indústria americana para trás começou a se inverter.

Com exceção dos computadores da Apple, quase todos os PCs do mercado passaram a rodar com chips da Intel e software da Microsoft, projetados para funcionar juntos com perfeição. A Intel entrou na era do computador pessoal com um monopólio virtual sobre as vendas de chips para PCs.

A história da indústria de chips norte-americana poderia ser totalmente diferente. E deixaríamos de conhecer uma das empresas mais tradicionais do mercado de tecnologia no mercado. Tudo por causa de uma pergunta feita em uma tarde de 1985, em um escritório em Santa Clara.

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