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CEO Conference | BTG Pactual – Dia 2

CEO Conference | BTG Pactual – Dia 2

Tempo de leitura – Overview do dia em 14 minutos.

Nesta quarta-feira (7), tivemos o último dia do CEO Conference Brasil 2024, evento promovido pelo BTG Pactual. Desta vez, Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, e os ministros Rui Costa e Renan Filho foram algumas das figuras importantes do cenário político e econômico brasileiro que marcaram presença.

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Cenário Político e Macroeconômico 2024

No primeiro painel do segundo dia, e já tradicional do evento, André Esteves, Chairman e Sócio-Sênior do BTG, foi entrevistado por William Waack sobre diversos temas atuais do cenário político e macroeconômico. 

Esteves observou o ambiente favorável para investimentos no Brasil. Segundo ele, o país está se comportando bem e se mostrou satisfeito com o processo de harmonização construído ao longo do último ano. “Eu fico muito satisfeito com o que eu vejo depois do painel de Fernando Haddad e Roberto Campos Neto. 2023 começou com ataques de Lula ao presidente do Banco Central e críticas à independência da autarquia, mas terminou com ambos juntos em um churrasco de ministros”.

Ele também comentou que o Brasil tem um gasto muito alto e uma arrecadação também muito alta. Para ele, o ideal seria reduzir os dois e completou dizendo que “enquanto sociedade, temos que continuar cobrando o governo da vez, seja ele de esquerda ou de direita, para ter um compromisso com as futuras gerações”.

Em relação às questões ambientais, Esteves explicou que o Brasil tem a matriz renovável mais ampla do G20, mas ponderou que nenhum sistema trabalha somente com energia limpa. “Acho que a gente melhorou na questão ambiental, mas estamos longe do nosso potencial. Temos uma grande oportunidade na COP-30 do ano que vem, que acontecerá em Belém. Temos uma oportunidade de nos posicionarmos nesse ambiente como uma liderança ambiental”.

Expandido a conversa para o cenário global, o papo começou pelos nossos vizinhos argentinos. O chairman mostrou otimismo com o que está vendo na Argentina, afirmando que o país está no caminho certo, com um presidente preparado, que falou a verdade durante a campanha e está conseguindo vitórias pontuais. 

Na geopolítica, apesar dos conflitos no Oriente Médio, ele vê com bons olhos os investimentos sauditas e região, justificando que passam estruturalmente por um bom momento. “O que vimos em outubro do ano passado é o radicalismo contrário a isso, a um ambiente mais distensionado”, afirmou.

Ao fim do painel, as eleições americanas foram o tema. O sócio-sênior do BTG disse que hoje Trump é o franco favorito e tem uma certa preocupação com esse cenário. Para ele, isso será fonte de instabilidade global. Na conclusão, Esteves propôs uma reflexão quanto ao cenário eleitoral americano ao questionar como a democracia “mais sofisticada do mundo” não conseguiu produzir uma alternativa a Trump e Biden.

Concessões: Rodovias

Na sequência, foi a vez de Renan Filho, ministro dos Transportes, Marcello Guidotti, CEO da EcoRodovias, e Miguel Setas, CEO da CCR, subirem ao palco. 

O ministro iniciou sua participação explicando que o Brasil faz concessões de rodovias há pouco tempo e poucas foram feitas. Com isso, “conceder um trecho por ano não dialoga com a nossa necessidade de infraestrutura”. Ele estabeleceu como “meta ousada e ambiciosa” realizar 35 novos leilões durante o governo. Esse ano, o objetivo é fazer 13. Ele também criticou que foram realizadas muitas concessões desequilibradas, com negócios que seriam em tese bons. Renan Filho ainda indicou que a otimização desses contratos vai gerar investimentos de R$ 100 bilhões no curto prazo.

Em outro ponto do painel, o ministro disse à plateia que o Brasil tem capacidade de voltar a ser a sexta economia do mundo e comparou o país a uma “Kombi velha”, que “vive balançando, mas se apertar os parafusos, olhar o pneu, der um negocinho, ele vai para a sexta economia”.

Novo PAC: Atração de Investimentos e Responsabilidade Fiscal

Depois foi o ministro Rui Costa, da Casa Civil, que subiu ao palco. Durante o painel, ele afirmou que a agenda do governo em 2023 foi alcançada e conseguiram colocar de pé a reorganização do estado brasileiro. 

Um ponto importante foi quando o ministro afirmou que o “interesse nacional de se sobrepor a vaidades ou diferenças pessoais”. A fala veio ao ser questionado sobre os recentes impasses entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional, após o presidente da Câmara, Arthur Lira, cobrar que o governo não cumpriu com alguns acordos e criticar o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha. 

Em complemento, Rui Costa afirmou que o governo cumprirá os acordos firmados com Lira a respeito do Orçamento de 2024. “Eu participei no fim do ano do diálogo direto com Lira, e o acordo que fizemos será cumprido, que foi incorporar as emendas de comissão no valor de R$ 11 bilhões. Este foi o acordo. O que foi colocado além disso não faz parte do acordo. Eu concordo integralmente com o texto dele, acordo é para ser cumprido”.

Além disso, o novo PAC foi tema de debate. O ministro disse que o PAC “tem um conjunto de investimento em infraestrutura e sociais e também um conjunto de medidas institucionais”. Ele apresentou que precisamos de um novo PAC pelos seguintes motivos: promover a infraestrutura econômica, social e urbana; incrementar o investimento público privado; gerar emprego de qualidade; e melhorar a competitividade da economia brasileira.

Visão das gestoras para 2024

“A bolsa está barata” foi uma frase de consenso entre André Caldas, Sócio-fundador da Clave Capital, Bruno Garcia, Sócio-fundador da Truxt, Carlos Eduardo Rocha, CEO/CIO da Occam, e Laércio Henrique, Sócio do BTG Pactual Asset Management. Os painelistas analisaram o mercado de renda variável local e internacional.

No olhar externo, Rocha compartilhou que o cenário lá fora é muito bom para investimentos em ações. Já Laércio Henrique acrescentou que o cenário externo é benigno. “Para a gente, o mais importante é termos algo que não permita uma recessão nos Estados Unidos. Continuamos confiantes que no primeiro semestre teremos um afrouxamento monetário”.

Por outro lado, Garcia destacou o receio que tem com a China, temendo que o modelo estrutural do gigante asiático esteja quebrado. Acrescentando aos riscos de 2024 em investir em ações, Rocha também chama atenção à China e aborda o risco fiscal. Para ele, a meta fiscal vai ser mudada, mas o mais tarde possível. 

Transição energética: Fontes, Infraestrutura e o Papel do Consumidor Final

Neste painel, o Diretor-Geral da Aneel, Sandoval Feitosa, debateu sobre o protagonismo do Brasil no contexto mundial da transição energética, os avanços na abertura do mercado livre e a alocação mais eficiente de custos no setor elétrico. 

Feitosa afirmou que o debate não é somente sobre transição energética, que o Brasil já alcançou, mas sim de transformação energética. “O Brasil é um país naturalmente vocacionado para a transição energética”.

No mesmo painel, Ricardo Botelho, CEO da Energisa, apresentou a perspectiva da empresa e afirmou que estão conscientes do compromisso de desenvolvimento do país.  

Otimismo com a inteligência artificial

Um dos grandes temas da atualidade é a inteligência artificial, e não tinha como ela ficar de fora do evento. O convidado foi Scott Galloway, professor da NYU Stern School of Business, que disse que os ganhos de produtividade serão muito grandes. 

Ele analisou o mercado acionário americano, que sete ações equivaleram a 70% dos ganhos do S&P, entre elas Microsoft, Nvidia, Alphabet e outras gigantes da tecnologia. Segundo ele, a maioria dos ganhos veio da inteligência artificial. Nesse sentido, criticou a empolgação com a tecnologia e questionou a sustentabilidade da valorização de mercado.

Galloway foi contundente ao dizer que o principal benefício social da IA será no setor de saúde, contribuindo em algo muito mais proativo no que diz respeito ao monitoramento. Ele acrescentou que a educação também deve se beneficiar bastante.

Entrando em um tema polêmico, quanto aos impactos no mercado de trabalho, ele disse que todas as empresas serão impactadas, mas não acha que a IA vai tomar o emprego das pessoas. A visão dele é que uma pessoa que saiba usar a inteligência artificial vai conquistar oportunidades. “Eu acho que vai abrir mais oportunidades de emprego do que fechar. Eu vejo IA como positiva para o emprego”.

Por fim, ele direcionou fortes críticas a como a ascensão das tecnologias pode afetar as relações humanas. Ele usou o Apple Vision Pro, óculos de realidade aumentada recém-lançado, como exemplo para dizer que “quando se usa um óculos desses, é uma maneira de dizer que você não quer que ninguém se aproxime de você”. 

Ele argumentou um grande receio de que a IA impulsione um movimento de “epidemia de solidão”. “Eu fico preocupado em criar pessoas que começam a olhar para algarismos como amigos e não vivam verdadeiras relações”. Ele comentou que a perda de habilidade de relacionamento pode impactar na vida profissional e pessoal das futuras gerações. O professor ainda jogou luz sobre os problemas que a IA pode gerar em períodos eleitorais. 

BNDES do Futuro: Desafios e Oportunidades

Aloizio Mercadante, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, foi convidado para falar sobre o futuro, desafios e oportunidades da instituição.

Dentre os assuntos que ele falou, os R$ 57 bilhões em financiamentos para infraestrutura em 2023 e o protagonismo da matriz energética foram debatidos. Sobre o último, ele disse que o Brasil tem uma vantagem energética, explicando que “somos o primeiro país do G20 que pode em 2040 chegar à emissão de 0%.

Além disso, Mercadante voltou a elogiar Roberto Campos Neto, presidente do BC, e afirmou querer que o “BNDES volte a ser o banco que era no primeiro governo FHC”. Ele tem como meta dobrar a participação do banco no PIB brasileiro, de 1% hoje para 2%.

Ciclo de flexibilização da política monetária

Para finalizar o CEO Conference deste ano, Eduardo Loyo, Sócio do BTG, Mansueto Almeida, Economista-chefe do BTG, e Tiago Berriel, Estrategista-chefe do BTG Pactual Asset Management, debateram sobre política monetária no âmbito global.

Em relação aos Estados Unidos, o grande questionamento para Loyo é se a batalha contra a inflação está ganha, ou não, e então começar a afrouxar os juros. ”Eu tenho muita dificuldade em me convencer de que a batalha está ganha. Acho que um pouco mais de cautela faz sentido”. Ele ainda acrescentou que a comunicação está um pouco confusa, mas ponderou que “o final dessa história será de um sacrifício muito menor do que se imaginava”.

Berriel concordou com o companheiro e falou: “o que deixa o mercado inseguro é que vemos dados até de uma economia acelerando. Essa segurança pode gerar uma postura mais conservadora. Acho normal um Banco Central tomar essa atitude de conter a animação antes de iniciar o ciclo. O problema do Fed foi a comunicação, de levar a uma excitação extrema e depois puxar o freio”. 

Por fim, Mansueto Almeida concluiu analisando o Brasil. Para ele, é muito cedo para falar de PIB potencial. “ A gente acredita que aconteceu algo no Brasil que tornou a economia mais resiliente”. Sobre a meta fiscal, disse que ninguém do mercado estima que o governo consiga entregar um déficit primário de 0%. Ele ainda acha que o debate sobre a mudança de meta fiscal para esse ano “pode durar mais tempo do que imaginamos”.

Este conteúdo é produzido pela PORTOFINO MULTI FAMILY OFFICE e fomenta o diálogo sobre a política e o empresariado brasileiro. A nossa opinião é neutra e não é partidária.

CEO Conference | BTG Pactual – Dia 1

CEO Conference | BTG Pactual – Dia 1

Tempo de leitura – Overview do dia em 14 minutos.

Nesta terça-feira (6), aconteceu o primeiro dia do CEO Conference Brasil 2024, evento promovido pelo BTG Pactual, que contou com a presença de diversas figuras importantes do cenário político e econômico brasileiro, como o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o ministro da Economia da Argentina, Luis Caputo, entre outros.

Cenário Econômico 2024

O primeiro painel do dia recebeu Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, que abordou diversos temas importantes no cenário econômico atual. Em sua tradicional apresentação de slides, ele listou os quatro grandes temas atuais: dinâmica de inflação e crescimento nos Estados Unidos; o que está acontecendo com a China; um mundo cada vez mais dividido; e a dinâmica de mercado em um mundo cada vez mais endividado após a pandemia. Sobre este último, ele disse que o mundo saiu da pandemia muito mais endividado, em algo próximo de 20% do PIB global.

No que diz respeito à inflação global, Campos Neto apresentou dados que mostram que todas as inflações cheias estão caindo, assim como o núcleo, mas lentamente. As taxas de inflação global estão em processo de desaceleração, muito puxada pela queda nos preços de alimentos e energia. Entretanto, o presidente do BC (Banco Central), ponderou que os núcleos nos países desenvolvidos continuam altos, muito em decorrência dos serviços estarem pressionados. “De fato, as inflações de serviços estão rodando a níveis muito altos. Em alguns emergentes, os serviços já estão abaixo de padrões históricos”, explicou.

Em relação ao Brasil, Campos Neto disse que o comportamento da inflação está “mais ou menos dentro do que imaginávamos”. O mercado de trabalho, que permanece aquecido, está sendo acompanhado de perto pelo Banco Central. Sobre a política monetária, ele afirmou que “era difícil definir política monetária sem confirmação da meta fiscal”. Para 2024, o governo confirmou a meta fiscal com déficit primário zero. A definição ainda, segundo ele, levou a uma queda das expectativas de inflação.

Por fim, Campos Neto rapidamente comentou sobre os riscos para a economia global. Ele listou a geopolítica como um fator de risco – durante o painel, ele falou sobre o aumento de custos no transporte marítimo devido ao conflito no Mar Vermelho e o uso de rotas alternativas – e o crédito privado nos Estados Unidos como fonte de risco de crédito.

Agenda Econômica 2024

O painel seguinte recebeu a presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que começou falando que tinha a sensação, no começo do governo, que eles não estavam entendendo que acontecia com o orçamento.  

Na projeção para este ano, Haddad disse que 2024 pode “surpreender positivamente”, mas afirmou que o resultado primário depende do Congresso. “Quanto mais maturidade para entender o contexto político, mais fácil fica. Hoje, o que era meta do governo é a meta do país. O resultado fiscal não vem por passe de mágica. Depende de vários fatores, como a apreciação das medidas que o governo manda para o Congresso. O Congresso que dá a palavra final. O resultado primário depende do Congresso Nacional. O nosso papel é ir apresentando para o Congresso as medidas com certa gradualidade”, disse.

O ministro explicou que o otimismo depende da política e afirmou que o Congresso está disposto a ouvir. Importante relembrar que a meta fiscal para 2024 é déficit zero, compromisso visto com certa desconfiança.

Haddad ainda disse que erros acumulados nos últimos 10 anos, que reduziram o nível de arrecadação, estão corrigidos com o esforço do governo, entre eles a desoneração da folha, criada na gestão de Dilma Rousseff.

Top Gestoras do Mercado

Encerrando a parte da manhã, André Jarkurski, Sócio-fundador da JGP, Luís Stuhlberger, Sócio-fundador da Verde Asset, e Rogério Xavier, Sócio-fundador da SPX Capital, debateram sobre política monetária.

Sobre o assunto, Stuhlberger e Xavier concordaram que os bancos centrais estão sendo “muito lerdos em baixar os juros”. Essa postura conservadora, para Stuhlberger, acontece devido a “desmoralização” que as instituições sofreram ao demorar em subir as taxas durante a pandemia. Xavier concordou e explicou que os bancos centrais “estão super conservadores, porque erraram barbaramente na ida e não querem errar na volta”. Ele ainda criticou Jerome Powell, presidente do Fed, sobre a comunicação e entrevistas estarem confusas.

Além disso, o fundador da SPX, apesar de elogiar o trabalho conduzido por Roberto Campos Neto no comando do Banco Central no último ano, criticou os juros altos, questionando que não há justificativa para as taxas em patamares atuais. Ainda sobre a política monetária, ele afirmou que o momento determinante para as economias emergentes evoluírem será quando os desenvolvidos começarem a cortar juros.

Ao arrematar sua visão do Brasil, ele disse que o país vai ser “sardinha e vai andar com o resto do mundo. Se o mundo for bem, o Brasil vai bem”. Jarkurski também fez coro às falas de juros extremamente altos e analisou a produtividade e o crescimento populacional que o preocupam.

As eleições americanas também foram pauta. Para Jarkurski, esse é o tema mais importante do ano e ainda destacou que a dívida americana é “uma bomba atômica com pavio curto, que pode explodir em seis meses ou em anos”. Rogério Xavier mostrou uma visão de que a eleição de Trump pode ser boa do ponto de vista das corporações americanas, já que significaria menos impostos.

China e geopolítica também foram temas. No que diz respeito ao primeiro, Xavier apontou que o modelo econômico passa por um esgotamento. “A China insiste em apostar no lado da oferta e da indústria forte. Estão exportando um excedente para o mundo inteiro, isso derruba o preço dos bens. Para nós (Ocidente) é o paraíso, mas para a China está se endividando cada vez mais e sem retorno”. Ele acredita que o país terá um colapso econômico por conta de uma crise bancária profunda e retroceder, podendo desencadear no confronto político com Taiwan. O fundador da Verde Asset acrescentou que não está otimista e nem pessimista com a China.

Os participantes ainda analisaram que uma possível eleição de Donald Trump em novembro se traduziria em cautela para os dois países devido à possibilidade dele aumentar as tarifas de importação do país asiático.

Por fim, na geopolítica, Stuhlberger vê que os Estados Unidos estão longe de ser ameaçados pela China no campo econômico. Entretanto, André Jarkurski acredita que em 5 ou 10 anos vê a China militarmente competitiva com os EUA e capaz de invadir Taiwan.

Economia Mundial e Geopolítica

“Os juros têm de cair, seja em março ou maio, o Fed vai ter de começar a reduzir os juros logo, senão vamos ter uma recessão real”. Foi isso que Bill Ackman, fundador da Pershing Square, disse sobre o cenário da economia americana. Conforme explicou durante o painel, a percepção do gestor americano é que a atividade e o mercado de trabalho estão enfraquecendo, “com um número significativo de empresas, principalmente de tecnologia, todos os dias demitindo”.

Ele pontuou que o PCE, índice de inflação preferido do Federal Reserve, já voltou para perto de 2%, a meta perseguida pelo banco central americano. “A taxa de juros real nos EUA hoje está bastante alta em termos históricos e, apesar disso, a economia ainda parece forte. Então, isso é um pouco um enigma, mas penso que existem alguns fatores que estão se ajustando após a pandemia e isso traz riscos para a economia”.

Em relação à China, ele comentou que tem sido bastante pessimista nos últimos anos e enxerga um enfraquecimento gradual. Destacou que o país é um ambiente ruim para empreendedores bem-sucedidos, com os locais tentando levar seus familiares para fora, e que a estrutura de custo não é mais tão competitiva.

Ele ainda falou sobre geopolítica, comentando sobre os custos de fretes subindo com os problemas nas rotas de navegação, as tensões entre EUA e Irã e afirmou que o maior risco do mundo agora são as incertezas geopolíticas e mercadológicas. “Estamos próximos de uma guerra contra o Irã”, afirmou.

Futuro do Varejo: Transformações e Desafios

Cristina Betts, CEO do Grupo Iguatemi, Luiza Helena Trajano, Presidente do Conselho da Magalu, e Rafael Sales, CEO da Allos, debateram sobre as principais transformações do varejo nos últimos anos e como enxergam os desafios para os próximos anos.

Luiza Helena começou sua fala destacando a importância da digitalização e a rápida adaptação do mercado, muito em virtude dos efeitos da pandemia. Segundo ela, o digital levou as pessoas a conhecerem mais o produto e terem mais vontade de comprar. “O digital é uma cultura que veio para ficar. A pandemia “forçou” essa digitalização”, explicou.

A CEO do Grupo Iguatemi, por outro lado, relembrou quando no início da pandemia diziam que os shoppings iriam acabar. Ela explicou que os shoppings têm diversas outras funções e proporcionam toda uma experiência para os clientes. “É muito prático comprar no online, mas a experiência no digital não é completa como no presencial”, disse. 

Ela ainda completou afirmando que o Brasil tem a cultura de servir bem e isso reflete para dentro das lojas. “Todos querem colocar mais produtos na loja e fazer eventos de relacionamento de marketing. O presencial não vai morrer e acho que todo mundo vai focar nessa parte da experiência e tornar os clientes leais”.

Rafael Sales foi em linha com o que disse Cristina, explorando muito o lado da experiência do consumidor, da experiência vivida nos ambientes físicos.

Concessões: Saneamento

O painel recebeu Karla Bertocco, Presidente do Conselho da Sabesp, Radamés Casseb, CEO da Aegea, e Roberto Barbuti, CEO da Iguá Saneamento. 

Os três convidados debateram ao longo do painel sobre diversos temas relacionados ao marco legal do saneamento. Casseb disse que quem está fazendo mais diferença no setor é o capital, a crença do investidor. Ele ainda explicou que do ponto de vista do crescimento, a Aegea tem como modus operandi estudar todos os projetos, em uma dinâmica de aprendizado.

Argentina: o que esperar?

No último painel do primeiro dia, Luis Caputo, ministro da Economia da Argentina, falou sobre o difícil momento do país vizinho e as perspectivas para frente. 

Ele começou elogiando o presidente Javier Milei, elogiando que ele chegou à presidência dizendo a verdade e está fazendo a lição de casa. “Muitos políticos o subestimaram porque não achavam que alguém pudesse chegar ao poder falando em ajustar os gastos públicos. Isso conferiu credibilidade a ele no mundo todo”.

No contexto da aprovação do texto-base do pacote de reformas econômicas e políticas de Milei no legislativo, mas desidratada em diversas medidas, Caputo afirmou que “sabemos que o que pretendemos fazer vai funcionar, porém é claro que precisamos do apoio do congresso. Não podemos contar com os oposicionistas radicais, porque querem que as pessoas continuem na pobreza para poderem continuar mentindo. Eles formam 35 a 40%. Já a oposição racional está adotando uma posição pró-pais e não dos próprios interesses”. Pouco antes do início do painel, a Câmara dos Deputados retomou a votação dos artigos individuais do projeto.

Por fim, o ministro falou que olha para o Brasil como um superparceiro e pediu que os investidores “olhem com carinho as oportunidades no país. Vocês vão nos ajudar a sair dessa situação”.

O CEO Conference Brasil 2024 retorna nesta quarta-feira (7) com outros nomes importantes.

Este conteúdo é produzido pela PORTOFINO MULTI FAMILY OFFICE e fomenta o diálogo sobre a política e o empresariado brasileiro. A nossa opinião é neutra e não é partidária.

Esfera BR | Inteligência artificial, a nova revolução dos negócios

Esfera BR | Inteligência artificial, a nova revolução dos negócios

(Tempo de leitura: 4 minutos)

Por Priscila Yazbek, correspondente internacional da CNN Brasil em Paris.

Os superlativos não foram poupados para definir a importância da inteligência artificial (IA) no Fórum Econômico Mundial de 2024, em Davos, na Suíça. O jornal Financial Times afirmou que “a inteligência artificial dominou as conversas”. Arati Prabhakar, diretor do Gabinete de Política Tecnológica da Casa Branca, disse que a IA “é a tecnologia mais poderosa do nosso tempo”. Para a agência de notícias Reuters, o tema criou “um burburinho em Davos”. E o francês Le Monde disse que a IA é “a nova religião dos negócios” e o fundador do ChatGPT, Sam Altman, “o messias do fórum”.

“Foi o único assunto capaz de disputar a atenção da elite global com os conflitos em Gaza, na Ucrânia e as eleições americanas”.

Entre as dezenas de debates sobre o tema, o mais comentado foi o encontro entre Sam Altman e o diretor-executivo da Microsoft, Satya Nadella. Altman definiu a relação entre eles como o “melhor bromance da tecnologia”. Nadella correspondeu e concordou com Altman em quase tudo. Entre os ganhadores e perdedores da corrida pela nova tecnologia, a Microsoft é provavelmente o maior vencedor. A parceria com a OpenAI, dona do ChatGPT, catapultou a empresa e levou a Microsoft a se tornar a companhia mais valiosa do mundo, avaliada em US$ 2,89 trilhões, ultrapassando a Apple.

Mas houve uma discordância sutil entre o par romântico. Nadella enfatizou um olhar 100% positivo sobre a IA, dizendo que o mundo está prestes a alcançar “um momento mágico”, semelhante às mudanças provocadas pelo computador pessoal. Já Altman foi mais cauteloso e lembrou que a IA pode ter um poder cognitivo maior do que qualquer ser humano e que “nós não fazemos ideia do que vem a seguir”.

Alguns exemplos ruins já surgiram, como o software que recusou candidatos a empregos acima de uma certa idade, ou o chatbot que produziu posts racistas, além dos inúmeros processos de direitos autorais.

A irresistível promessa da produtividade

Mas o que leva a empolgação com a IA a superar qualquer presságio pessimista é um ponto-chave: o ganho de produtividade. E não há promessa mais sedutora para um líder empresarial.

Dois dados da IBM foram amplamente repetidos nos Alpes suíços:

  • os negócios podem faturar US$ 10 trilhões na próxima década com o aumento de produtividade trazido pela IA;
  • 73% das empresas já estão explorando ativamente a tecnologia em seus negócios, segundo o índice de adoção de IA de 2023 da IBM e da Morning Consult.

O chefe de tecnologia da Casa Branca disse que as soluções para praticamente todos os grandes desafios do mundo passam pela IA. “Se pensarmos no trabalho que temos pela frente — lidar com a crise climática, melhorar a saúde e o bem-estar das pessoas, garantir que os nossos filhos sejam educados e que as pessoas nas suas carreiras possam treinar para adquirir novas competências, é difícil ver como faremos isso sem o poder da IA”, disse Arati Prabhakar.

O grande desafio é como transformar a tecnologia em fonte de receita, o famoso “como monetizar”. Algumas ideias começam a aparecer.

Para a Reuters, o CEO do BLP Group, uma importante operadora eólica e solar na Índia, disse que está incorporando a tecnologia de chat de IA para uso interno para escrever bem em inglês, não para conteúdo.

Cohere, uma startup de IA de alto nível focada em empresas, vê a ajuda aos vendedores como um caminho de receita. A ideia seria usar a ferramenta para trazer mais divulgação, acompanhamento e automatizar processos, para tornar as equipes de vendas mais produtivas.

A importância de governos acompanharem o movimento

Além de adaptar os negócios à inteligência artificial, também se falou muito em Davos sobre como adaptar a sociedade à nova tecnologia.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou na véspera do evento um estudo que mostra que quatro em cada dez empregos no mundo estão ameaçados pela IA. A diretora do fundo, Kristalina Georgieva, pediu que os governos sejam proativos e estabeleçam redes de segurança social e programas de reciclagem para conter o impacto da IA. Caso contrário, a tecnologia vai elevar a desigualdade e as tensões sociais no mundo, segundo Georgieva.

O primeiro-ministro Li Qiang, da China, afirmou em Davos que a IA deve servir o bem comum, mas deve ser governada de forma adequada, porque “representa riscos à segurança e à ética”. Líderes europeus e dos Estados Unidos têm discutido regulamentos sobre IA há anos e falaram amplamente sobre seus esforços.

CEOs explicam que o verdadeiro desafio não é a substituição de empregos por máquinas, mas por pessoas que saibam usar a IA.

Em meio à tanta discussão, um dado é certo: ainda existem tantas perguntas quanto respostas. E ignorar o tema, seja na política ou nos negócios, não está entre as alternativas corretas.

Somos parceiros da Esfera BR, uma iniciativa independente e apartidária que fomenta o pensamento e o diálogo sobre o Brasil, um think tank que reúne empresários, empreendedores e a classe produtiva. Todas as opiniões aqui apresentadas são dos participantes do evento. O nosso posicionamento nesta iniciativa é o de ouvir todos os lados, neutro e não partidário.

Clique aqui para ler sobre outras personalidades e eventos promovidos pela Esfera BR e Portofino MFO.

#Portofinonamidia

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Este é um resumo com as principais notícias e conteúdos da Portofino Multi Family Office, confira:

08.02.2024/Valor Econômico – Não dá para comprar cenário de que pior já passou, diz Portofino

31.01.2024/GZH – Com Selic caindo para 11,25%, veja o que muda no crédito e nos investimentos

31.01.2024/CNN Brasil – Com comunicado morno, decisão do BC não surpreende e mostra Copom “tranquilo”, dizem especialistas

29.01.2024/Valor Econômico – Após taxação de fundo exclusivo, aposta é em carteira administrada

25.01.2024/Infomoney – Investe no exterior? Veja 3 formas de planejar sucessão de patrimônio fora do Brasil

24.01.2024/NeoFeed – Portofino quer R$ 30 bilhões e busca “algumas” aquisições no ano

19.12.2023/Exame – Pacto pré-nupcial? Casar pensando em divórcio? Entenda o regime de separação total de bens

08.12.2023/Valor Investe – Índices futuros internacionais disparam. Como investir nesse mercado?

08.09.2023/E-Investidor – O que farão os investidores com a taxação dos fundos exclusivos?

28.07.2023/Infomoney – Fundos de ações que investem no exterior rendem 15% e atraem depósitos; quais as apostas após onda tech?

20.07.2023/O Globo – Entenda a diferença entre fundo exclusivo e o de investimento. E veja o que o governo quer mudar

17.07.2023/Exame – Destravando o crescimento: Private Equity como alternativa à dívida

14.07.2023/Infomoney – Como fica a taxação de investimentos no exterior com o andamento da Reforma Tributária?

13.07.2023/E-Investidor – Como a Reforma Tributária vai mexer com grandes heranças

31.05.2023/Metrópoles – Acordo sobre dívida dos EUA pode desacelerar economia no mundo

30.05.2023/InfoMoney – Por que o impasse do teto da dívida nos EUA preocupa o mundo?

26.05.2023/G1 – O que pode acontecer no Brasil se os EUA derem calote pela primeira vez na história?

18.05.2023/Mais Retorno – MP que tributa aportes via offshore pode inviabilizar negócios, dizem especialistas

17.05.2023/E-Investidor – Tributaristas e wealths recomendam aguardar trâmite da MP das offshores, que mal começou

02.05.2023/E-Investidor – Os efeitos da tributação de ‘trusts’ e ‘offshores’ pelo governo Lula

11.04.2023/Correio do Povo de Alagoas – Renda do agro atrai bancos para investidor do Centro-Oeste

10.04.2023/Estadão – Riqueza do agronegócio torna Centro-Oeste a nova meca dos investimentos financeiros

20.03.2023/Brazil Journal – Wealth Journal – WHG e Portofino em modo “risk-off”

17.03.2023/Valor Investe – Mais um ano de seca na B3? Com juros altos, empresas explicam adiamento de estreia na bolsa

14.03.2023/Citywire Brasil – Portofino chega a R$ 15 bi e vê o futuro dos MFOs na tecnologia

02.02.2023/Zero Hora – Valor de fusões e compras de empresas no RS avança

13.01.2023/Você S/A – O que é Wealth Planning?

12.01.2023/Veja – A temporada de derretimento do euro em relação ao dólar ficou para trás?

15.12.2022/Valor Econômico – Conjuntura global adversa prejudica as carteiras

14.11.2022/E-Investidor – Recessão pode ser problema maior do que inflação, diz Adriano Cantreva

10.11.2022/Gazeta do Povo – Promessas de Lula devem deixar contas no vermelho e aumentar a dívida pública

08.11.2022/Gazeta do Povo – Por que a comida é um dos “vilões” da inflação e o que esperar nos próximos meses

26.10.2022/Bloomberg Línea – Além da renda fixa: como investir com a Selic no maior patamar desde 2016

24.10.2022/Folha de Pernambuco – Investimento familiar exige atenção para evitar perdas

20.10.2022/Portal In – Fortaleza: Iate Clube de Fortaleza sedia encontro sobre empresas familiares

19.10.2022/Gazeta do Povo – Olhar de quem investe no Brasil se divide entre eleição presidencial e riscos externos

10.10.2022/Exame – “Cenário econômico de 2023 será desafiador”

21.09.2022/Veja – A relação entre os juros nos Estados Unidos e o desânimo dos investidores

26.08.2022/Veja – Os sinais de desaceleração da inflação nos Estados Unidos

25.08.2022/Valor Econômico – Estímulo da China ajuda Ibovespa, mas recuo da Petrobras mantém índice instável

16.08.2022/Exame – ESG: Nada se sustenta apenas com o Marketing

04.08.2022/Brazil Journal – Private banks mantêm cautela, apesar da melhora no mercado

03.08.2022/Valor Investe – Veja o que fazer com os seus investimentos após a Selic avançar para 13,75% ao ano

01.08.2022/Forbes – Como investem os megainvestidores

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12.04.2021/Exame – Você conhece os multi family offices?

Revista Hebraica

Portofino Multi Family Office: modernidade e eficiência na gestão do seu patrimônio

Confira a entrevista:

Esfera BR | “O Brasil é importante para a transição energética e ecológica do mundo”, diz diretora do BNDES

Esfera BR | “O Brasil é importante para a transição energética e ecológica do mundo”, diz diretora do BNDES

O Brasil chega à 28ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 28), em Dubai, com a maior comitiva já enviada à cúpula para debater as mudanças climáticas e as formas de mitigar os efeitos no planeta. Entre as mensagens que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) espera passar é a de que o País pode liderar a transição energética, tema que foi objeto de diferentes debates ao longo do ano em eventos realizados pela Esfera Brasil.

Nas redes sociais, o presidente escreveu: “Uma série de agendas de interesse nacional. Abertura de mercados e atração de investimentos, principalmente em energia renovável. Muito trabalho para recolocar nosso País no cenário internacional, e atrair investimentos que gerem emprego e desenvolvimento para o Brasil”.

Para Luciana Aparecida Costa, diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o governo Lula foi responsável por resgatar a pauta da transição energética e ecológica e de combate ao desmatamento.

“O Brasil quer assumir uma liderança climática e é importante para a transição energética e ecológica do mundo. Nós, neste ano, alcançamos resultados importantes, como a queda de 49,7% do desmatamento entre janeiro e outubro de 2023 na comparação com o mesmo período do ano passado. Essa é uma grande mensagem”, disse.

Mas não só isso: o Brasil assumiu o compromisso de zerar o desmatamento até 2030 e quer ser líder em reflorestamento, uma vez que tem a maior floresta tropical do mundo.

O Brasil é o quinto maior emissor de gás do efeito estufa. Metade das emissões vem do desmatamento e 24% pelo uso da terra. “É mais barato controlar o desmatamento, porque ele está ligado ao crime organizado e não ao PIB [Produto Interno Bruto]”, acredita a executiva.

Ela revelou que o BNDES vai desembolsar este ano 35% a mais em projetos de infraestrutura e transição energética em relação a 2022. “Vamos aprovar 15% mais. A gente aprovou R$ 52 bilhões e devemos desembolsar uns R$ 39 bilhões, então no BNDES a gente não para”, diz.

Vantagens

O Brasil está de fato em uma posição vantajosa quando o assunto é transição energética. Entre os países do G20, nenhum deles tem as mesmas vantagens comparativas combinadas, na avaliação de Luciana Costa. São elas:

  • estabilidade política- o Brasil está entre os 15 países que têm relacionamento com todos os países da ONU;
  • estabilidade legal;
  • estabilidade regulatória;
  • protagonismo na segurança alimentar – o Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo;
  • maior biodiversidade do planeta e a maior floresta tropical do planeta;
  • detém 13% da água doce do mundo;
  • tem a matriz energética mais limpa: 88% renovável;
  • custo nivelado de energia solar e eólica entre os mais competitivos do mundo;
  • reservas de minerais críticos, como lítio e níquel;
  • existência de sistema elétrico interconectado e hidrelétricas que servem como bateria;
  • presença dos biocombustíveis desde a década de 1970.

Segundo Luciana Costa, um dos grandes trunfos do Brasil é que o governo sabe dessas vantagens comparativas e está elaborando um plano ecológico.

“A gente está discutindo taxonomia verde e framework regulatório para economia verde. Entra aí também o PL [Projeto de Lei] do hidrogênio verde, PL do combustível de baixo carbono, PL de mercado regulado de carbono, PL de armazenamento e PL de eólica offshore. Então é prioridade do governo essa agenda verde”, afirma. E complementa: “O Congresso está ciente da necessidade de aprovar essa agenda, que unifica a sociedade. Todos já perceberam a grande oportunidade que o Brasil tem”.

A descarbonização da economia é uma das metas do governo e desperta interesse mundial. O Brasil poderá escolher em quais rotas tecnológicas apostar, segundo a diretora do BNDES. Uma delas são os biocombustíveis, já que o País é um importante player mundial e pode liderar também o combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês). Outra importante aposta do BNDES é a eletrificação da frota de ônibus.

“A gente pode optar pela rota da energia renovável e do hidrogênio verde, pela rota do biogás e biometano. O Brasil tem muito resíduo da pecuária, do açúcar e álcool, a vinhaça, que são insumos para produção de biometano”, explica Luciana Costa.

Capital

Para a diretora, é essencial para o País ter o BNDES, que é 100% estatal, e é considerado o maior banco de fomento da América Latina.

“Temos expertise nos setores de infraestrutura e energia, e o BNDES é um instrumento oficial de política industrial, de fomento à infraestrutura. Ter um BNDES no momento de transição energética é muito importante. Pelo ranking da BloombergNEF, somos o maior financiador de energia renovável do mundo”, revela.

Mas a transição energética tem um alto custo e será preciso uma combinação de capitais para dar conta do desafio. Entre eles: funding privado, público, do BNDES, de bancos de fomento internacionais, como Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Banco Mundial, ainda recursos dos mercados de capital local e internacional, concessional e de doações.

“A transição energética é intensiva em capital. A gente precisa de muito investimento na nova infraestrutura dessa nova economia. O mundo, desde a segunda metade do século 19, está construindo a infraestrutura da cadeia do óleo e do gás, a gente precisa agora construir a infraestrutura do hidrogênio verde, de eletrificação de frota, então é muito capex envolvido e é caro”, conta Luciana.

Transição

Como o nome diz, a transição energética não será rápida. A diretora do BNDES explicou que o mundo consome 100 milhões de barris de óleo equivalente (boe). Em 2050, segundo a Agência Internacional de Energia, o consumo será de 57 milhões de boe: “Porque o petróleo não é só energia, é insumo para produção de produtos, então é um processo lento sim”.

Em países da Europa, por exemplo, a transição terá um custo ainda maior, uma vez que a matriz elétrica está baseada no carvão, que é um combustível fóssil, o que exige um esforço ainda maior para mudar o processo industrial.

No Brasil, algumas rotas tecnológicas estão mais avançadas e precisam de menos subsídios, segundo Luciana Costa. Uma delas é a eletrificação da frota. O investimento inicial é maior, já que o ônibus elétrico custa três vezes mais do que o veículo a diesel, mas o valor é compensado ao longo do tempo com a redução em combustível e em manutenção.

Um dos maiores desafios brasileiros é a implantação das eólicas offshore, que geram energia em alto-mar. “Vai ser viável daqui mais de 10 anos, não antes. É capex intensivo, com tecnologia nova, e é muito caro. Inclusive alguns projetos na Europa e nos Estados Unidos, que tinham sido anunciados, estão sendo revistos”, conta.

Para atrair o capital necessário, o Brasil vai ter de fazer a lição de casa. “A gente precisa ter um ambiente institucional definido, saber a regra do jogo, e quem define é a lei. A sociedade vai ter que discutir no ano que vem o que rever em alguns subsídios e incentivos. E estruturar bons projetos, isso o BNDES vai continuar fazendo”, afirma.

Somos parceiros da Esfera BR, uma iniciativa independente e apartidária que fomenta o pensamento e o diálogo sobre o Brasil, um think tank que reúne empresários, empreendedores e a classe produtiva. Todas as opiniões aqui apresentadas são dos participantes do evento. O nosso posicionamento nesta iniciativa é o de ouvir todos os lados, neutro e não partidário.

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(Tempo de leitura: 6 minutos)

Na noite desta segunda-feira, 27, na Residência Wilians, reunimos importantes nomes na seara da habitação para um diálogo sobre oportunidades de investimento e próximos passos do setor. Um deles foi o ministro Jader Filho, responsável pela pasta das Cidades, que falou sobre os números atingidos até agora pelo Ministério no terceiro mandato de Lula. Também participaram o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, e o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney.

Mediando a conversa, o advogado Rodrigo Bicalho, especialista em Direito Imobiliário, aproveitou a ocasião para questionar o ministro sobre o andamento dos projetos. Jader Filho, por sua vez, elencou os seguintes:

  • Minha Casa, Minha Vida Retrofit: neste caso, a intenção é reformar prédios abandonados para serem usados no programa de habitação. “Vamos avaliar prédios e terrenos públicos do governo federal, para ajudar as cidades a se recuperarem, para que possamos trazer o investidor”, explicou o ministro.
  • Minha Casa, Minha Vida Rural: a modalidade subsidia a produção ou a melhoria de unidades habitacionais para agricultores familiares, trabalhadores rurais e famílias residentes em área rural. “Até o fim deste ano, pretendemos fazer a seleção do Minha Casa, Minha Vida Rural”, revelou.
  • Minha Casa, Minha Vida Cidades: a iniciativa dispõe de contrapartidas da União ou de estados, municípios e do Distrito Federal para operações de financiamento habitacional com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para famílias com renda mensal de até R$ 8 mil. Jader Filho fez um apelo para que o mercado, representado pelos empresários presentes, respondesse ao chamado para a construção das unidades habitacionais. “Muitos de vocês são os motores da nossa economia. A gente precisa dos empresários para que o Minha Casa, Minha Vida possa atender às famílias da Faixa 1 [com renda bruta familiar mensal de até R$ 2.640). Elas querem realizar o sonho da casa própria. Convoco os senhores.”

O ministro das Cidades destacou que há a meta de disponibilizar dois milhões de unidades habitacionais no atual governo Lula.

Em outubro, já ultrapassamos a meta [para o ano] e estávamos em 388 mil. Em novembro, subiu para 420 mil unidades habitacionais financiadas em 2023. Nossa expectativa é ultrapassar as 500 mil unidades só neste ano.

Jader ainda acenou para Isaac Sidney, representante do setor financeiro: “Fique tranquilo quanto aos recursos do FGTS [Fundo de Garantia do Tempo de Serviço”. Segundo o ministro, o governo Lula vai incentivar financiamentos e fazer parcerias importantes para viabilizar mais recursos para financiar a casa própria. “Desde maio, começamos a fazer alterações importantes no financiamento do Minha Casa, Minha Vida. Aumentamos o valor da entrada, reduzimos a taxa de juros, que é a menor de todos os tempos em programas habitacionais, e ampliamos o valor do teto. Com isso, o mercado respondeu imediatamente”.

Bancos privados

Após a retomada, em julho deste ano, do Minha Casa, Minha Vida, foi retirada a exclusividade da Caixa Econômica Federal como financiadora do programa. Com a mudança, bancos privados, digitais e cooperativas de crédito passaram a operar.

“Temos uma linha de crédito com saldo de R$ 1 trilhão, específico para a carteira de crédito imobiliários”, informou Isaac Sidney. “O maior saldo, de longe, é o da carteira de crédito imobiliário, que representa 10% do PIB [Produto Interno Bruto], a carteira de veículos representa 2,5%. O que demonstra que ela [carteira do imobiliário] tem um saldo e uma composição bastante relevantes”, acrescentou.

No entanto, o Brasil ocupa a penúltima posição de tamanho de crédito imobiliário quando comparado com outros 15 países. “Temos espaço para crescer e potencial. Com o setor público e privado juntos atuando para reduzir o custo de crédito imobiliário, a gente consegue ter uma capacidade maior de alavancagem”, avaliou Sidney.

Em São Paulo

Às vésperas das eleições municipais, Ricardo Nunes culpou a Justiça por alguns atrasos na questão urbanística paulistana. “Conseguimos avançar com os ministros do STF [Supremo Tribunal Federal]. O mercado imobiliário tem potencial de construção, e faltavam às vezes ações do ponto da legislação urbanística para atender à demanda”, explicou.

Questionado sobre o centro da cidade, um dos pontos mais comentados por quem vive ou visita São Paulo, ele atenuou a situação e informou que votou a Lei do Retrofit, para agilizar a recuperação de prédios na região. Especificamente, trata-se do:

  • Programa Requalifica Centro: projeto da Prefeitura que estabelece incentivos fiscais para estimular a revitalização de prédios antigos da região central.

Entre outras iniciativas em São Paulo mencionadas por Nunes, estão:

  • Pode Entrar: desenvolvido para ampliar e facilitar o acesso ao sistema habitacional do município, cria mecanismos inovadores de incentivo à produção de empreendimentos habitacionais de interesse social.
  • Operação Delegado: aumentou o valor pago aos policiais militares (PMs) que trabalham para a Prefeitura durante as folgas. Com a valorização, cresceu para 2.400 o número de PMs cadastrados.
  • Smart Sampa: projeto que, além de oferecer maior segurança à população, também permite integrar vários órgãos do serviço público para dar maior agilidade no atendimento ao cidadão. Começou, em agosto, com a instalação de 200 câmeras inteligentes de segurança, com tecnologia de biometria facial e integração de diversos serviços públicos, permitindo o monitoramento de ocorrências em tempo real.

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