Nguyễn Đình Tuấn Việt.
Você provavelmente nunca ouviu falar desse nome.
Mas ele é uma das principais pessoas quando o assunto é coleção de destilados. Ele é a pessoa mais premiada da história quando este é o assunto, sendo o detentor de 20 recordes no Guinness World.
Hoje, o mundo passa por um processo de mudança no comportamento das pessoas. A Geração Z (nascidos aproximadamente entre 1995-2010) está consumindo significativamente menos álcool, com apenas 45% dos jovens brasileiros da faixa de 16 a 30 anos relatando beber. Essa é uma tendência impulsionada pela busca por saúde física/mental e alto custo das bebidas.
O resultado? Grandes empresas do setor começaram a sentir os efeitos nos balanços financeiros. Em 2024, a Ambev reportou que o segmento zero álcool, representado pelas cervejas Corona Cero e Budweiser Zero, cresceu 20%. Já a Heineken, líder do segmento de cervejas sem álcool, registrou um crescimento de 10% no volume de vendas de seu rótulo 0.0 no mesmo ano.
E isso não é característica apenas do mercado de cervejas. Vinhos e destilados também sentem o impacto. Voltando a este último, nos anos recentes, a procura por drinks sem álcool está crescendo. Para se ter uma ideia, segundo dados da Datassential, a presença dessas bebidas nos cardápios dos restaurantes aumentou em 223%.
A coleção de whisky para história
É nesse cenário de gerações que bebem menos e mercados que se reinventam que a figura de Nguyễn Đình Tuấn Việt ganha uma dimensão diferente.
A coleção de Việt não é apenas uma lista de recordes. É um arquivo.
Entre as peças mais notáveis, cinco garrafas do Macallan 1926 60 Year Old — o whisky mais caro já leiloado no mundo. Ao redor delas, mais de 1.200 garrafas compõem a coleção de whisky avaliada em US$ 150 milhões, incluindo dois conjuntos completos do Macallan Fine & Rare, de 1926 a 2000. No universo dos conhaques, 700 garrafas — entre elas, o conhaque mais antigo do mundo — formam um acervo avaliado em cerca de US$ 25 milhões.
Mas nem tudo se resume a valor. Muitos dos recordes alcançados por Việt não têm preço de mercado — estão ancorados na idade, na raridade ou no contexto histórico de cada garrafa. Algumas delas são, possivelmente, as últimas existentes no mundo.
O hábito começou como passatempo, há 30 anos. Com o tempo, evoluiu para algo maior: um compromisso com a preservação.
Há algo de simbólico nisso. Em um mundo em que novas gerações se afastam do álcool, um homem dedica décadas a garantir que a herança da destilação não se perca. As garrafas de Việt não foram feitas para ser abertas. Talvez o álcool esteja encontrando um novo papel: não o de ser consumido, mas o de ser lembrado.
Assim como as melhores histórias.



