Nesta quarta-feira (16/09), o Federal Reserve elevou a taxa básica de juros dos EUA em 0,25 ponto percentual, para o intervalo de 3,75% a 4,00% ao ano. É a primeira alta desde 2023, aprovada por unanimidade. A decisão já era amplamente esperada: na véspera, o mercado precificava cerca de 94% de chance desse movimento.
Nos dias que antecederam a reunião, o rendimento do Treasury de 10 anos rompeu a marca de 5%, chegando a 5,04% — o maior nível desde 2007. O movimento reflete uma combinação de fatores: petróleo acima de US$ 100 por barril pressionando a inflação, tensões geopolíticas em curso e maior necessidade de financiamento por parte do governo americano, o que aumenta a oferta de títulos no mercado.
Vale notar que o rendimento de 10 anos já vinha subindo antes da decisão do Fed, movido por essas pressões independentes da taxa básica de curto prazo. Esse componente segue sendo um fator relevante para a formação de preços de ativos de risco, do crédito às ações.
– Fernando Godoy
Sócio investimentos internacionais Portofino Multi Family Office
O Copom reduziu a Selic em 0,25 p.p., para 13,75% a.a., com um comunicado muito parecido com o anterior. O BC manteve o tom cauteloso, sem indicar os próximos passos, e reforçou que o ritmo do ciclo continuará dependendo dos dados.
Principais mudanças em relação à última reunião:
- Atividade econômica: o BC agora afirma com mais segurança que há moderação gradual da economia, concentrada nos setores mais cíclicos. A atividade ainda é descrita como resiliente e o mercado de trabalho, como aquecido.
- Inflação: a leitura corrente melhorou. A inflação cheia e a média dos núcleos passaram a ficar abaixo do teto do intervalo de tolerância, embora ainda acima da meta.
- Expectativas: o Focus para 2026 recuou de 5,0% para 4,9%, mas o de 2027 subiu de 4,2% para 4,3%. Isso mostra que a desancoragem nos prazos mais longos continua. A projeção do Copom para o horizonte relevante segue em 3,2%.
- Riscos: o balanço segue com riscos elevados e assimetria altista. O BC deixou de falar em desancoragem “adicional”, mas mantém o monitoramento atento das expectativas longas.
- Forward guidance: segue sem compromisso antecipado. A magnitude total do ciclo continuará sendo definida conforme novas informações.
Leitura do mercado:
- Tom: neutro, com leve viés dovish, pela descrição mais favorável da inflação e da atividade.
- Contraponto: a alta da expectativa para 2027 e a ênfase em serenidade e restrição adequada limitam apostas em aceleração do ritmo de cortes.
Impacto esperado nos mercados:
- Juros: reação contida na curva, já que a decisão e o texto vieram sem surpresas relevantes.
- Bolsa: reação neutra a levemente positiva, com a continuidade do ciclo de cortes.
- Dólar: sem impacto relevante, mais sensível ao cenário externo do que ao comunicado.
Conclusão: o comunicado não trouxe mudança de estratégia. O BC seguiu calibrando os juros de forma gradual, reconheceu a melhora da inflação corrente e manteve a flexibilidade para as próximas reuniões, sem abrir mão da cautela com as expectativas.
– Thomas Gibertoni
Sócio e Portfolio Manager Portofino Multi Family Office
