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Inflação em abril mostra resistência, mesmo com possível fim do ciclo de alta dos juros

danielbarbuglio

enchendo as xicaras de café

(Tempo de leitura: 2 minutos)

O que você precisa saber:
O IBGE divulgou os dados mais recentes de inflação. Neste texto, o nosso sócio e Portfolio Manager, Thomás Gibertoni, analisou o resultado apresentado.


O IPCA (índice oficial de inflação) de abril ficou em 0,43%, um pouco acima do esperado pelo mercado (0,42%) e um pouco menor que o registrado em março (0,56%). No entanto, no acumulado dos últimos 12 meses, a inflação subiu para 5,53%, ante 5,48% no mês anterior.

O que ajudou a segurar a inflação

  • Queda no preço de passagens aéreas (-14,15%) e combustíveis (-0,45%).
  • Alimentos em casa subiram menos (0,83%), com destaque para itens como ovos e café, que caíram (-1,29%) ou subiram menos (4,48%) após altas recentes.

O que pressionou a inflação

  • Bens industriais (como roupas e eletrônicos) subiram 0,62%, influenciados pelo fim de promoções e trocas de coleção (vestuário: +1,02%).
  • Medicamentos tiveram reajuste (2,32%), algo comum em abril.

Preocupação com serviços e núcleo da inflação

Os preços de serviços essenciais e a média dos núcleos de inflação (que excluem itens voláteis) praticamente não recuaram (0,61% e 0,51%, respectivamente), indicando que a inflação mais persistente segue alta. Em termos anualizados, alguns indicadores até aceleraram (7,8%), enquanto outros se mantiveram em patamares elevados (6,2%).

Surpresas no resultado

  • Alimentos em casa ficaram um pouco mais baratos do que o esperado, principalmente legumes e verduras.
  • Serviços pessoais (como educação e saúde) ficaram mais caros (+2 bps), piorando a qualidade geral do resultado.

Conclusão

A inflação de abril manteve-se em níveis preocupantes, especialmente nos setores mais resistentes a quedas (como serviços). Apesar de o Banco Central ter sinalizado uma possível pausa nos aumentos de juros, o cenário atual—com inflação alta e sem sinais claros de melhora—reforça a necessidade de manter os juros elevados por enquanto. Não há condições para discutir cortes na taxa de juros em 2025.


Thomás Gibertoni
Sócio | Portfolio Manager

É formado em Administração pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) e possui certificações CGA e CGE. Thomás passou pelo Banco Santander e antes de chegar a Portofino foi Portfolio Manager na Clarita Investimentos.

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