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O que você precisa saber:
- A Turnbull & Asser vestiu inúmeras personalidades e ganhou destaque na franquia 007
- A marca é uma das principiais alfaiatarias de luxo da Inglaterra
- Foi reconhecida com uma distinção concedida a empresas que fornecem bens ou serviços à Família Real
Antes mesmo de ser associada à realeza britânica ou às vitrines discretas da Jermyn Street, a Turnbull & Asser já havia conquistado outro território: o imaginário. Foi vestindo o icônico agente James Bond que a marca ajudou a consolidar o ideal de elegância masculina. Camisas impecáveis, punhos precisos, nada em excesso. Nas telonas, o espião desvendava crises globais, enquanto o seu estilo ditava tendências que iam perdurar gerações.
A empresa por trás dessas camisas havia sido fundada décadas antes, em 1885, por John Arthur Turnbull e Ernest Asser. Londres era outra, o ritmo era outro, mas a ideia já estava clara: fazer roupas que começassem no papel e terminassem no corpo. O “bespoke” ali não era promessa, era método. Medir, cortar, ajustar, repetir.
Ao longo do tempo, esse método atraiu uma clientela que dispensava apresentações. Winston Churchill, Charlie Chaplin, Pablo Picasso, Ronald Reagan, John Lennon, Eric Clapton. O então Príncipe Charles tornou-se cliente habitual. Anos depois, o traje usado pelo Príncipe William em sua fotografia oficial de noivado sairia da mesma casa.
A trajetória da marca se confunde com a própria história britânica do século XX. Durante a Primeira Guerra Mundial, a Turnbull & Asser ganhou notoriedade ao desenvolver o Oilsilk Combination Coverall and Ground Sheet, uma peça leve que funcionava tanto como capa impermeável quanto como lona de solo para o Exército Britânico.
A parceria com o 007 marcou gerações. Foi Sean Connery, em 007 contra o Dr. No, que vestiu as camisas da Turnbull & Asser, que se destacaram por suas particularidades: punhos fechados por botões, não por abotoaduras. Um detalhe que se tornou assinatura. A relação com Bond foi duradoura, chegando aos filmes mais recentes com Daniel Craig.
O estiloso superespião britânico não foi o único da sétima arte a vestir a marca. Em Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge, o Coringa de Heath Ledger usava gravatas Turnbull & Asser.
Nos anos 1920, a Turnbull & Asser ampliou seu portfólio com roupas esportivas, peças prontas para vestir e ternos. Décadas depois, o catálogo incluiria pijamas, roupões de seda, smokings de veludo e acessórios diversos. Durante a pandemia, as oficinas produziram equipamentos de proteção individual para o NHS (Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido).
Para coroar essa história, a marca foi reconhecida com a concessão do Royal Warrant pelo Rei Charles III, uma distinção concedida a empresas que fornecem bens ou serviços à Família Real.
Assim, mais do que todas as personalidades que já vestiram a marca ou reconhecimentos Reais, a tradição é o que mantém a história viva. Foram duas guerras mundiais, momentos marcantes com a Família Real e outros eventos. Mas não importa, a identidade que fez a alfaiataria uma das mais tradicionais do mundo segue intacta. Isso é legado.

