Pular para o conteúdo principal
  • Investimentos
  • Investimentos Internacionais
  • Planejamento Patrimonial
  • Imobiliário (Real Estate)
  • Esporte, Arte e Entretenimento
  • Fusões e Aquisições (M&A)
  • Portofino On
  • Contato
Portofino
A Micron vale US$ 1 trilhão. Em 1980, foi salva por um produtor de batatas.

A Micron vale US$ 1 trilhão. Em 1980, foi salva por um produtor de batatas.

por Raphael Fernandes | 28 maio 2026 | Investimentos Internacionais, Family Office

A história de John Richard Simplot, o fornecedor de batatas fritas do McDonald’s que aportou US$ 1 milhão na Micron Technology em 1980 e ajudou a salvar a indústria americana de semicondutores.

Em 1980, o Vale do Silício estava perdendo. As tecnologias americanas, que sempre lideraram o mundo, perdiam espaço para os produtos japoneses produzidos por um custo muito mais baixo. Esse movimento pôs em risco a posição norte-americana de dominância no desenvolvimento de chips semicondutores.

O Japão havia decidido, uma década antes, que semicondutores seriam o pilar industrial do país. Toshiba, NEC, Hitachi e Fujitsu receberam crédito subsidiado, coordenação estatal e contratos garantidos. Quando começaram a exportar chips de memória DRAM para os Estados Unidos, fizeram a preços que nenhum americano conseguia praticar. A Intel, que havia inventado o DRAM em 1970, abandonou o produto em 1985. A Texas Instruments resistiu mais um tempo, depois também desistiu.

O consenso americano era de que o jogo estava perdido.

Enquanto isso, em Boise, capital de Idaho, uma empresa pequena chamada Micron Technology insistia em não morrer. Mal sobrevivia. Sem caixa, sem narrativa que mobilizasse o venture capital californiano, sem qualquer atributo que justificasse aposta racional. Ali poderia colocar fim à história de uma empresa que, em 2026, ultrapassaria a marca histórica de US$ 1 trilhão em valor de mercado, e a América teria perdido sua última fabricante de DRAM. Mas o jogo virou com a chegada de um senhor de chapéu de fazendeiro chamado John Richard Simplot.

investimentos internacionais portofino multi family office

Simplot não era engenheiro. Não era investidor de tecnologia. Era o homem que havia ensinado o McDonald’s a congelar batatas fritas e, a partir dessa ideia trivial, construído um império bilionário a partir de Idaho. O aporte de US$ 1 milhão na Micron em 1980 se transformou, ao longo das décadas seguintes, em participação avaliada em mais de US$ 1 bilhão. Mas o retorno financeiro é a parte menos interessante da história.

A Micron sobreviveu fazendo o oposto do que se esperava de uma empresa americana de tecnologia. Não venceu pela inovação radical. Os engenheiros da Micron trabalharam, claro, para manter o padrão técnico que se espera de uma empresa americana do setor. Mas a vitória veio de outro lugar: da obsessão em cortar custos, refinar processos e extrair eficiência de cada wafer de silício.

Chris Miller resume com precisão em Chip War: “A tecnologia avançada por si só não bastava para salvar a indústria de DRAM dos EUA. A Intel e a Texas Instruments tinham muita tecnologia, mas não conseguiam fazer o negócio funcionar. Os desajeitados engenheiros de Idaho da Micron superaram os rivais de ambos os lados do Pacífico com sua criatividade e a habilidade de cortar custos”.

Há algo profundamente subversivo nessa passagem. A narrativa americana sobre semicondutores costuma celebrar o gênio criativo, o garage startup, o salto disruptivo. A história real da única sobrevivente americana de DRAM segue outro roteiro. A Micron venceu porque aplicou ao silício a mesma lógica com que Simplot havia ganhado o mercado de batata congelada: padronização implacável, custo unitário cravado no chão, escala extraída na base da paciência.

Quarenta anos depois, a Micron é uma das três únicas fabricantes globais de DRAM, ao lado de Samsung e SK Hynix. Empresa de relevância estratégica para a segurança nacional dos Estados Unidos. Sem ela, não haveria sequer narrativa americana de soberania em chips de memória. O homem das batatas, sem saber, financiou um dos pilares da tecnologia que hoje sustenta desde o data center que processa inteligência artificial até o míssil de precisão guiado por satélite.

livro guerra dos chips micron jack simplot

A Portofino Multi Family Office foi eleita a Best Multi Family Office Brazil pela Citywire (2024 e 2025) e premiada pela Euromoney como Best Family Office Services Brazil (2024) e Best Independent Wealth Manager for Digital Solutions (2026).

Kevin Warsh, novo presidente do Fed, chega em meio à guerra de Trump por juros mais baixos

Kevin Warsh, novo presidente do Fed, chega em meio à guerra de Trump por juros mais baixos

por Raphael Fernandes | 15 maio 2026 | Investimentos Internacionais, Family Office

Há um detalhe quase irônico no momento em que Jerome Powell deixa a presidência do Federal Reserve. Donald Trump escolheu seu sucessor com uma missão precisa: cortar juros. E, ao mesmo tempo em que articulava essa sucessão, o presidente americano sustentava políticas que pressionam a inflação na direção contrária. Tarifas sobre meio mundo, conflito aberto com o Irã, petróleo em alta. O homem que mais quer juros baixos nos Estados Unidos é também o que cria parte do ambiente que os mantém altos.

É a contradição que define o momento mais delicado do banco central americano em décadas. E para entendê-la, vale começar não pelo sucessor, mas por quem está de saída.

O erro do ‘transitório’ e a cicatriz que mudou a política monetária do Fed

Em 2021, quando a inflação pós-pandemia começou a subir, Powell e sua equipe sentenciaram que o fenômeno era “transitório”. Não era. A inflação se mostrou consideravelmente mais persistente do que o cenário base do Fed previa, e o banco precisou correr atrás, elevando juros de praticamente zero para mais de 5% em pouco mais de um ano. Foi um erro de diagnóstico de proporções históricas, e custou caro aos americanos em poder de compra. Críticos, à direita e à esquerda, apontam que a tardia mudança de postura do Fed transformou um problema gerenciável em um problema estrutural.

A lição interna do banco, desde aquele episódio, ficou clara. Não por convicção hawkish, mas pela memória recente de ter agido tarde demais na direção oposta. É essa lógica de retaguarda, mais do que qualquer tese econômica refinada, que sustenta a paciência atual do comitê.

A pressão da Casa Branca e a postura do Fed

Trump foi explícito sobre o que pensa de Powell. Em rede social, em entrevistas, em comícios, repetiu que os juros deveriam estar muito mais baixos e que o presidente do Fed era um obstáculo. O argumento, do ponto de vista da Casa Branca: o mercado de trabalho dá sinais de desaceleração, partes da economia sentem o aperto monetário, e parcela dos economistas sustenta que o choque tarifário seria, em tese, um evento de ajuste único, não inflação genuína.

Powell discorda, e tem mantido a linha. O Fed, sob seu comando, optou por uma combinação de paciência com gradualismo, recusando-se a antecipar cortes que considera prematuros e gerindo o relacionamento com a Casa Branca pelo silêncio público. O presidente do banco central tem repetido, quando provocado, que a instituição responde a dados, não a declarações políticas.

A relação azedou de vez em janeiro, quando o Departamento de Justiça abriu uma investigação criminal contra Powell sob o pretexto de irregularidades na reforma bilionária do prédio do Fed em Washington. Um juiz federal classificou a operação como mecanismo para pressionar o chair a cortar juros ou renunciar, leitura contestada por parte do Partido Republicano, que sustentava motivação legítima de fiscalização de gastos públicos. A investigação foi arquivada poucos dias antes da confirmação do novo presidente do banco. Em paralelo, a tentativa da Casa Branca de demitir a governadora Lisa Cook segue aguardando julgamento na Suprema Corte.

Em sua provável última reunião à frente do comitê, no dia 29 de abril, Powell manteve a taxa entre 3,5% e 3,75%. A votação, porém, revelou algo que o nível dos juros não contava.

Um comitê dividido como não se via há 33 anos

Quatro membros dissentiram naquela reunião. Não acontecia algo assim desde outubro de 1992. Mais curioso ainda, os dissidentes queriam exatamente o oposto do que Trump deseja: pediam que o comunicado abandonasse a linguagem que sugeria cortes à frente. Susan Collins, do Fed de Boston, foi explícita ao dizer, dias depois, que preferia retirar do texto qualquer presunção de que o próximo movimento seria de queda.

O motivo é prosaico. A inflação não saiu. O núcleo do PCE, indicador preferido do Fed, segue rondando 3,5%, bem acima da meta de 2%. As tarifas, originalmente vendidas como instrumento de pressão comercial, se transformaram em imposto inflacionário sobre o consumidor americano. E o conflito com o Irã reabriu uma frente energética que ninguém previa quando o nome do sucessor de Powell foi anunciado.

É nesse cenário, e não em outro, que Kevin Warsh entra em cena.

investimentos internacionais portofino multi family office

O Warsh de 2008 e o Warsh de agora

Na quarta-feira, 13 de maio, o Senado americano confirmou Warsh para a presidência do Federal Reserve. A primeira reunião sob seu comando está marcada para 16 e 17 de junho.

Há uma curiosidade biográfica que vale o registro. Warsh já passou pelo Fed. Sentou-se no Board entre 2006 e 2011, durante a presidência de Ben Bernanke, e atravessou a crise financeira de 2008 no posto. Naquela época, fez fama de hawk, daqueles que preferem juros altos para conter inflação mesmo ao custo de algum atrito com o crescimento.

Nos últimos anos, contudo, sua retórica mudou. Passou a defender publicamente que o Fed cortasse juros e reduzisse o tamanho de seu balanço. Foi essa segunda fase que o credenciou aos olhos de Trump, e seus discursos e artigos no Wall Street Journal forneceram a trilha sonora desejada pela Casa Branca.

Resta saber qual Warsh sentará à mesa do FOMC.

Por que a entrada de Warsh, sozinha, não muda os juros

A taxa básica de juros americana não é decidida pelo presidente do Fed. É decidida pelo Federal Open Market Committee, o FOMC, composto por doze votantes. Sete são governadores do Board, indicados pelo presidente da República e confirmados pelo Senado, com mandatos escalonados de 14 anos. Os outros cinco vêm dos doze bancos regionais. O presidente do Fed de Nova York vota sempre. Os outros quatro assentos rodam anualmente entre os onze presidentes regionais restantes.

Warsh entra como mais um voto entre doze, e como a voz mais influente, sim, mas não como ditador da política monetária dos Estados Unidos. Para virar o tabuleiro, Trump precisaria de algo bem mais difícil que uma confirmação no Senado. Precisaria de tempo, várias vacâncias simultâneas e uma maioria política disposta a ratificar nomeações que muitos democratas, e alguns republicanos institucionalistas, considerariam um ataque à independência do banco central.

É por isso que a estratégia da Casa Branca tem sido outra. Em vez de tentar conquistar o comitê numa única tacada, vai erodindo as bordas. Stephen Miran, que ocupou interinamente o assento de Adriana Kugler, dissentiu pedindo cortes. A tentativa de demitir Lisa Cook segue na Suprema Corte. A investigação contra Powell, mesmo arquivada, deixou marcas. A pergunta que paira sobre Wall Street não é mais se a independência do Fed está sob pressão. É se essa pressão acabará por revelar fragilidades institucionais reais ou, ao contrário, fortalecer os contrapesos.

O que o CME FedWatch revela sobre as expectativas para os juros

Enquanto a política tenta moldar o banco central, o mercado já fez sua leitura. O CME FedWatch, ferramenta que extrai probabilidades dos contratos futuros de Fed Funds, mostra para a reunião de junho 98,5% de chance de manutenção da taxa, 1,5% de corte e zero por cento de alta. É o consenso mais alinhado em meses. Wall Street, simplesmente, não acredita que Warsh terá margem para entregar o que Trump quer, ao menos não no curto prazo.

Para alocadores de longo prazo, o desenho do FOMC, com seus mandatos escalonados, suas vozes regionais e sua tradição de dissidência, foi construído precisamente para suportar pressões como esta.

Probabilidades CME FedWatch para reunião do FOMC de junho de 2026: 98,5% manutenção, 1,5% corte, 0% alta

O legado de Powell e o teste de Warsh

Powell deixa o cargo como uma figura que dividirá historiadores. Para uns, foi o presidente do Fed que errou no diagnóstico da inflação e demorou para reagir, mas que segurou a postura institucional sob pressão sem precedentes. Para outros, foi o tecnocrata “teimoso”, como diz Trump, que prolongou um aperto monetário desnecessário e custou crescimento ao país. Há argumentos para os dois lados. Powell, vale registrar, permanecerá no Board até pelo menos 2028. Sua cadeira de chair sai, mas sua voz no comitê não.

Warsh, por sua vez, herda mais do que um banco central. Herda um teste. O teste de mostrar se a independência do Fed depende de quem o preside ou de uma cultura institucional capaz de resistir mesmo quando o ocupante da cadeira foi escolhido justamente para flexibilizá-la. E, no caminho inverso, o teste de mostrar se essa cultura é robusta o suficiente para acomodar uma mudança de orientação legítima sem desestabilizar a credibilidade do dólar.

O que está em jogo, no fundo, não é se Warsh cortará juros em junho. No momento, as condições sugerem que não cortará. Mas, mais do que isso, o público quer ver como se comportará a independência do Federal Reserve em uma transição marcada por muitos contrapontos. Acompanhamos de perto.

A Portofino Multi Family Office foi eleita a Best Multi Family Office Brazil pela Citywire (2024 e 2025) e premiada pela Euromoney como Best Family Office Services Brazil (2024) e Best Independent Wealth Manager for Digital Solutions (2026).

Por que a dolarização é essencial para proteger o seu patrimônio?

Por que a dolarização é essencial para proteger o seu patrimônio?

por Raphael Fernandes | 17 abr 2026 | Investimentos Internacionais, Family Office, Wealth management

(Tempo de leitura: 5 minutos)

O que você precisa saber:

  • Proteção cambial, diversificação e ativos globais são alguns dos benefícios;
  • Dolarizar o patrimônio é uma estratégia para proteger, diversificar e expandir;
  • Dolarizar também é sobre acesso à principal moeda de referência global.

Dolarizar o patrimônio é importante porque reduz a dependência de um único país, de uma única moeda e de um único cenário econômico.

Quando todo o patrimônio está concentrado em um único mercado, ele fica exposto às oscilações do real, às decisões de política econômica local e à instabilidade dos ciclos domésticos.

Ao incluir o dólar na estratégia, você adiciona uma camada de proteção e amplia o alcance das suas decisões financeiras.

Dolarizar é, antes de tudo, ampliar o acesso

Mais do que proteção, dolarizar é expandir fronteiras.

O dólar é a principal moeda de referência global. É por meio dele que se acessam os maiores mercados do mundo, as economias mais estáveis e empresas que lideram transformações em setores como tecnologia, saúde e energia.

Na prática, isso significa sair de um universo limitado para um campo muito mais amplo de oportunidades, onde o capital passa a circular em mercados mais profundos, líquidos e eficientes.

Os principais benefícios da proteção patrimonial em dólar

Dolarizar o patrimônio é uma escolha que reorganiza a estrutura da carteira de forma mais equilibrada e sofisticada.

Entre os principais benefícios, destacam-se:

  • Proteção cambial

    Preserva o poder de compra ao longo do tempo, especialmente em cenários de desvalorização do real.

  • Diversificação geográfica

    Reduz a concentração de risco em um único país, diluindo impactos locais.

  • Acesso a ativos globais

    Permite investir em empresas e setores que muitas vezes não estão disponíveis no mercado doméstico.

  • Menor volatilidade da carteira

    Ativos internacionais tendem a responder a dinâmicas distintas, equilibrando ciclos econômicos.

  • Estabilidade de longo prazo

    Exposição a economias mais robustas e resilientes.

  • Liquidez internacional

    Participação em mercados amplos, com maior eficiência e facilidade de negociação.

O que é o risco Brasil — e como ele afeta seu patrimônio

Manter o patrimônio concentrado no Brasil significa aceitar, integralmente, o chamado “risco Brasil”.

Esse conceito reúne fatores estruturais que impactam diretamente os investimentos, como:

  • Incerteza fiscal e aumento da dívida pública
  • Mudanças frequentes nas regras econômicas
  • Instabilidade política
  • Inflação e juros elevados
  • Desvalorização cambial

Em períodos eleitorais, o risco tende a se intensificar.

Eleições trazem incerteza sobre os rumos da política econômica, possíveis mudanças de direção e aumento da sensibilidade dos mercados a discursos, expectativas e cenários futuros.

Diante desse cenário, dolarizar o patrimônio trata-se de uma decisão estratégica. Ou seja: construir uma base sólida que permita atravessar diferentes ciclos com mais equilíbrio.

Uma estratégia global

A construção de uma exposição internacional eficiente vai além de simplesmente investir no exterior.

Ela envolve alocação adequada, escolha de ativos, gestão de riscos e alinhamento com os objetivos de longo prazo de cada família.

Na Portofino, esse processo é conduzido de forma personalizada, com independência e uma visão integrada do patrimônio.

Quer estruturar uma estratégia internacional? Converse com a nossa equipe.

A Groenlândia no centro da crise geopolítica. Os EUA arriscam as relações pela a ilha

A Groenlândia no centro da crise geopolítica. Os EUA arriscam as relações pela a ilha

por Raphael Fernandes | 6 fev 2026 | Family Office, Investimentos Internacionais

(Tempo de leitura: 4 minutos)

O que você precisa saber:

  • A tensão gerada com a ofensiva norte-americana expõe as fissuras dentro da Otan;
  • Washington argumenta que o território é essencial para o projeto “Domo de Ouro”;
  • O governo dos Estados Unidos demonstra preocupação com a presença da China e da Rússia no Ártico

Não é exagero dizer que a Groenlândia virou, de repente, um espelho das tensões do mundo atual. Um território glacial, pouco povoado e distante dos grandes centros de poder passou a concentrar disputas que misturam defesa, recursos naturais e a desconfiança crescente entre aliados históricos. O episódio revela menos sobre a ilha em si e muito mais sobre a fase da política externa dos Estados Unidos. E o estado das relações internacionais.

A insistência de Donald Trump em comprar a Groenlândia, e a disposição retórica de ir além disso, não pode ser lida como uma excentricidade isolada. Ela faz parte de uma lógica mais ampla, marcada por uma visão transacional das alianças e pela centralidade absoluta da segurança nacional.

O argumento central de Washington gira em torno do chamado “Domo de Ouro”, um sistema de defesa inspirado no modelo israelense e pensado para detectar e interceptar mísseis antes que atinjam o território norte-americano. A lógica é simples: a posição geográfica da Groenlândia, no coração do Ártico, é privilegiada.

🔎 Aprofunde-se: Esta matéria da BBC explica melhor esse sistema de defesa

Por outro lado, o que a geopolítica diz atualmente é que o Ártico aumentou a sua importância. O processo de aquecimento global não é apenas sobre o meio ambiente. Neste caso, ele está contribuindo para uma disputa estratégica muito mais profunda: novas rotas comerciais e valor militar da região. 

É nesse contexto da história que os dois antagonistas dos Estados Unidos, a China e a Rússia, ganham espaço no roteiro. O avanço da presença desses dois atores na região evidencia a preocupação norte-americana e a importância estratégica da região.

E, atualmente, ao se falar em estratégia, no contexto geopolítico das relações internacionais, são as terras raras quem têm mudado de lugar as peças do tabuleiro. Na história que estamos contando aqui, não é diferente, já que o domínio chinês na produção e processamento desses minerais têm feito o Ocidente – leia-se EUA e Europa – suar frio. 

A Groenlândia, rica em terras raras em seu terreno pouco explorado, surge como uma alternativa estratégica no longo prazo em diminuir a dependência de Pequim.

A estratégia é vista com bons olhos pelo pessoal lá em Washington. Para os outros 31 membros da Otan não é bem assim. A ofensiva norte-americana causou um grande desconforto – para não falar crise – dentro da aliança. Ao flertar com a anexação de um território sob soberania de um país-membro, fissuras e dúvidas foram expostas sobre a força do multilateralismo. A ameaça de tarifas contra países contrários ao plano só aprofundou essa sensação de instabilidade.

“Nunca vimos isso antes. Um aliado, um amigo de 250 anos, considerando usar tarifas como arma geopolítica”, declarou o ministro das Finanças da França, Roland Lescure.

Quando Trump descartou o uso de força militar e aliviou o discurso sobre as tarifas retaliatórias, o sangramento foi contido, mas a ferida ainda segue longe de cicatrizar. 

As conversas “construtivas” entre Estados Unidos e Dinamarca restabelecem o diálogo. De toda forma, para além de terras raras, segurança nacional e rotas comerciais, a crise na Groenlândia também expõe como alianças e relações que uma vez já foram sólidas e hoje vivem sobre a corda bamba de incertezas. 

infográfico verde com curiosidades sobre a Groenlândia

Ano novo, mas a mesma tensão entre Trump e o Fed

Ano novo, mas a mesma tensão entre Trump e o Fed

por Raphael Fernandes | 16 jan 2026 | Family Office, Investimentos Internacionais, Wealth management

(Tempo de leitura: 5 minutos)

O que você precisa saber:

  • O embate entre Trump e Powell aumenta as tensões às vésperas da reunião de juros
  • O presidente do Fed publicou vídeo criticando a ação do governo
  • Para ele, se trata de uma ameaça clara à independência da autoridade monetária

O ano de 2026 começou carregando as mesmas tensões que marcaram o fim de 2025. Entre elas, a relação cada vez mais conturbada entre Donald Trump e Jerome Powell, tendo a independência do Federal Reserve como pano de fundo. 

As tensões voltaram a escalar já na segunda semana do ano, após o Departamento de Justiça dos Estados Unidos enviar ao Federal Reserve uma intimação relacionada à investigação que apura se Powell teria mentido ao Congresso. O foco do depoimento são as reformas na sede do Fed, em Washington, que envolvem a expansão e modernização de dois edifícios da década de 1930, com custo estimado em US$2,5 bilhões.

As pressões do governo sobre o Fed – especialmente de Trump – não são novidade. O elemento novo, desta vez, foi a reação de Jerome Powell. O chair se manifestou por meio de uma gravação, na qual afirmou que o processo está diretamente ligado à resistência do Fed em atender aos pedidos do presidente por cortes mais agressivos na taxa de juros. Para Powell, trata-se de uma ameaça clara à independência da autoridade monetária.

“É uma consequência do fato de o Federal Reserve definir as taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que será melhor para o público, em vez de seguir as preferências do presidente”, disse o dirigente.

Trump, por outro lado, negou que tenha qualquer relação com a acusação. A negativa, contudo, não arrefeceu as reações. Presidentes de bancos centrais ao redor do mundo assinaram uma carta conjunta em apoio a Powell, criticando qualquer tentativa de interferência política sobre a condução da política monetária e reforçando a importância da autonomia institucional do Fed. (Leia o documento mais abaixo)

O episódio se soma a uma longa lista de atritos entre o governo e o banco central. Entram nessa conta o processo contra Lisa Cook (entenda aqui), as críticas públicas e até os insultos direcionados a Powell em meio às pressões por cortes mais rápidos e profundos nos juros.

Na última reunião do ano, o Fed reduziu a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para 3,5% a 3,75%, em decisão dividida: Stephan Miran — recém indicado por Trump — defendeu um corte maior, de 0,5 ponto, enquanto outros dois membros, Jeffrey Schmid e Austan Goolsbee, votaram pela manutenção. O comitê sinalizou apenas um corte adicional para 2026, ressaltando a incerteza quanto às perspectivas econômicas. Após os dados de inflação mais recentes, Trump voltou a pressionar por cortes mais agressivos nos juros. 

Em tempo, a mudança no comando do Fed é um tema para acompanhar de perto. Trump já comunicou sua preferência por um nome mais alinhado às suas preferências e afirmou, inclusive, que o substituto de Powell já estaria escolhido. A decisão deve ser anunciada em breve.

Confira a carta assinada pelos presidentes de BCs ao redor do mundo.

13 de janeiro de 2026

Manifestamos total solidariedade com o Sistema do Federal Reserve e seu chair, Jerome H. Powell. A independência dos bancos centrais é um pilar da estabilidade de preços, financeira e econômica, no interesse dos cidadãos que servimos. Por isso, é fundamental preservar essa independência, com pleno respeito ao Estado de Direito e à responsabilidade democrática. O chair Powell tem exercido sua função com integridade, foco em seu mandato e compromisso inabalável com o interesse público. Para nós, ele é um colega respeitado e amplamente reconhecido por todos que trabalharam com ele.

Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, em nome do Conselho do BCE
Andrew Bailey, presidente do Banco da Inglaterra
Erik Thedéen, presidente do Sveriges Riksbank
Christian Kettel Thomsen, presidente do Conselho de Governadores do Danmarks Nationalbank
Martin Schlegel, presidente do Conselho de Governadores do Banco Nacional da Suíça
Ida Wolden Bache, presidente do Norges Bank
Michele Bullock, presidente do Reserve Bank of Australia
Tiff Macklem, presidente do Banco do Canadá
Chang Yong Rhee, presidente do Banco da Coreia
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central do Brasil
François Villeroy de Galhau, presidente do Conselho de Diretores do Banco de Compensações Internacionais
Pablo Hernández de Cos, diretor-geral do Banco de Compensações Internacionais.

Imagem em destaque: The White House

O ano em que a Casa Branca voltou ao estilo Trump

O ano em que a Casa Branca voltou ao estilo Trump

por Raphael Fernandes | 17 dez 2025 | Family Office, Investimentos Internacionais

(Tempo de leitura: 5 minutos)

O que você precisa saber:

  • A política de tarifas e imigração do governo Trump dominou o noticiário
  • O relacionamento entre Donald Trump e Jerome Powell também foi destaque no ano
  • A preocupação com as empresas de IA cresceu

Ufa — que ano foi 2025. De uma política comercial inédita nos Estados Unidos a um embate institucional com o banco central, o ano foi marcado por fortes reviravoltas. As medidas protecionistas e a postura firme de Donald Trump em temas como imigração e comércio internacional definiram o tom de uma montanha-russa que impactou diretamente os mercados globais.

Ao revisitar os principais capítulos da economia norte-americana, é inevitável não começar pelo binômio que dominou o noticiário: tarifas e imigração.

No início do ano, a nova política tarifária de Trump surpreendeu ao incluir não apenas adversários, mas também países aliados. O confronto mais intenso, porém, ocorreu com a China. De um lado, os Estados Unidos elevaram tarifas de importação; do outro, Pequim respondeu na mesma medida. Em poucas semanas, as alíquotas ultrapassaram 100%, reacendendo a tensão entre as duas maiores economias do mundo.

Essas medidas geraram alta volatilidade nos mercados de renda fixa e variável, refletindo a incerteza sobre o impacto nas cadeias globais de produção e no comércio internacional.

Em paralelo, os EUA endureciam a política imigratória, com deportações e operações em larga escala. O tema, inclusive, permeou os comunicados do Federal Reserve ao longo do ano. O ambiente de incerteza aumentou a cautela da autoridade monetária, que passou a destacar a necessidade de monitorar atentamente os dados econômicos antes de qualquer mudança significativa na política de juros.

A situação expôs a insatisfação de Trump com o chair Jerome Powell em relação à condução da política monetária. O presidente norte-americano defendia cortes mais agressivos nas taxas de juros, mas Powell se manteve firme em suas convicções apesar das pressões externas.  Na última reunião do ano, o Fed reduziu a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para 3,5% a 3,75%, em decisão dividida: Stephan Miran — recém-indicado por Trump — defendeu um corte maior, de 0,5 ponto, enquanto outros dois membros, Jeffrey Schmid e Austan Goolsbee, votaram pela manutenção. O comitê sinalizou apenas um corte adicional para 2026, ressaltando a incerteza quanto às perspectivas econômicas.

Em tempo, a mudança no comando do Fed é um tema para acompanhar de perto. Trump já comunicou sua preferência por um nome mais alinhado às suas preferências, e a decisão deve ser anunciada no início do próximo ano.

Do lado dos mercados, o segundo semestre foi marcado por maior seletividade e cautela. Além dos sinais mistos sobre atividade e inflação, cresceu a preocupação com a precificação de empresas de inteligência artificial, cujo desempenho extraordinário elevou questionamentos sobre sustentabilidade de lucros e valuations.

Fora do eixo norte-americano, 2025 também foi um ano desafiador no cenário geopolítico. Em Gaza, um cessar-fogo trouxe algum respiro, embora as incertezas sobre o futuro da região permaneçam altas. No Leste Europeu, as negociações por um acordo de paz seguem em curso, ainda distantes de um desfecho.

E assim encerramos 2025, com uma visão cautelosamente otimista. Apesar dos desafios políticos, econômicos e geopolíticos, os resultados corporativos seguem positivos, o volume de investimentos permanece robusto e há sinais de maior disposição ao diálogo entre países. Ao mesmo tempo, os riscos ainda são significativos e o cenário global continua indefinido.

Engana-se quem imagina que o ciclo se fecha no dia 31. Como de costume, 2026 tende a ser um ano de volatilidade, ajustes e oportunidades — terreno fértil para quem souber manter disciplina, paciência e visão de longo prazo.

(Imagem destaque: The White House)  

 

Fernando Godoy cursou Administração de Empresas na FGV com foco em Gestão Estratégica, atuou por 2 anos em empresa de capital aberto e possui 8 anos de experiência no mercado financeiro, com ênfase em investimentos internacionais. Está no time da Portofino MFO há 6 anos, 4 deles como sócio.
« Entradas Antigas

Posts recentes

  • O cavalo, o mito e a luz que veio sem brilho
  • A Micron vale US$ 1 trilhão. Em 1980, foi salva por um produtor de batatas.
  • Human optimization: o recorde de Londres e a nova cultura de performance, saúde e longevidade
  • Kevin Warsh, novo presidente do Fed, chega em meio à guerra de Trump por juros mais baixos
  • O que é Wealth Management e por que ele importa para quem pensa no futuro

11 2592 4484

info@pmfo.com.br

INFORMAÇÕES REGULATÓRIAS E POLÍTICAS DE OPERAÇÃO.

CANAL DE DENÚNCIAS

CANAL DPO

DISCLAIMER

  • Investimentos
  • Investimentos Internacionais
  • Wealth Planning
  • Real Estate
  • Fusões e Aquisições
  • Esportes, Artes e Entretenimento
  • Nossos escritórios
  • Portofino On
  • Imprensa
  • Trabalhe conosco
  • Contatos
  • Seguir
  • Seguir
  • Seguir