O – segundo – grande ano de Galípolo

O – segundo – grande ano de Galípolo

(Tempo de leitura: 4 minutos)

O que você precisa saber:

  • O presidente do BC entra em seu segundo ano no cargo
  • A autoridade monetária justifica a “condução cautelosa” dos juros com a desaceleração da inflação
  • Em ano eleitoral, as incertezas podem ser um fator na condução da política monetária

Em 2025, começamos o ano falando sobre “O – primeiro – grande dia de Gabriel Galípolo”. À época, o foco estava na expectativa em torno de sua estreia à frente do Banco Central, marcada por uma decisão de juros cercada de simbolismo. Um ano depois, iniciamos este novo texto olhando para “O – segundo – grande ano” de Galípolo.

Ao observar 2025 em retrospecto, fica claro que o presidente do BC manteve uma condução técnica e consistente, dissipando as dúvidas sobre uma eventual abertura a interferências políticas. O receio, naquele momento inicial, era de que o governo pudesse exercer influência sobre a política monetária, especialmente diante da pressão que havia recaído sobre seu antecessor, Roberto Campos Neto, para acelerar os cortes na taxa de juros.

Hoje, essa não é mais uma questão. Ao longo de todo o último ano, o Copom adotou uma postura técnica e independente, mesmo sob pressão do governo federal, ainda que menos intensa do que na gestão anterior. O resultado dessa estratégia foi uma elevação da Selic para 15% ao ano, o maior patamar em duas décadas, evidenciando a disposição da autoridade monetária em priorizar o controle inflacionário, ao passo em que o governo injetava liquidez via benefícios sociais e reajuste do salário mínimo.

tabela com a evolução dos juros

Fonte: Banco Central

O BC tem dito claramente que uma desaceleração, ou seja, um ritmo menor de crescimento da economia, faz parte da estratégia de conter a inflação no país. A explicação é que, com um ritmo menor de crescimento, há menos pressões inflacionárias, principalmente no setor de serviços – um dos principais focos de atenção da política monetária.

Na ata da última reunião, o Banco Central avaliou que a “condução cautelosa” da política de juros tem contribuído para se observar ganhos de desaceleração da inflação. Ainda, reafirmou o “firme compromisso” com a missão de levar a inflação à meta e que o cenário atual prescreve uma política “significativamente contracionista por período bastante prolongado”.

Em linha com esse discurso, a inflação de 2025 fechou no teto da meta. O resultado de 4,26% foi o quinto menor desde 1995. Ainda assim, a resiliência da inflação de serviços, uma das variáveis mais sensíveis para o BC, segue pressionando.

tabela com os dados de inflação desde 1995

Fonte: IBGE

Usada como termômetro de pressões de demanda sobre os preços, o indicador acelerou de 0,60% em novembro para 0,72% em dezembro, decorrente, dentre outros fatores, de pressões sazonais.

Agora, com a manutenção da taxa de juros em 15% ao longo dos últimos meses, crescem as expectativas para o início de um eventual ciclo de afrouxamento da política monetária. Na outra ponta, porém, as incertezas de um ano eleitoral – mais um que promete polarização elevada. Ou seja, a tendência é de aumento de gastos – o famoso “kit reeleição”, postura natural para qualquer governo no último ano de mandato. E a lógica é conhecida: quando o fiscal acelera, a política monetária tem que ser mais ativa. 

Seguimos acompanhando todos os próximos passos.

Imagem em destaque: Jose Cruz/Agência Brasil

Você pode não ver, mas elas estão em todo lugar: a disputa pelas terras raras

Você pode não ver, mas elas estão em todo lugar: a disputa pelas terras raras

(Tempo de leitura: 5 minutos)

O que você precisa saber:
– As terras raras são elementos fundamentais para a fabricação de produtos de alta tecnologia
– A China é a grande líder mundial na produção e processamento desses minerais
– O Brasil abriga uma das maiores reservas do mundo


Cada vez mais, conforme o fim do ano se aproxima, começamos aquele ritual quase automático de relembrar o que marcou os últimos meses, revisitar assuntos que dominaram as conversas, montar listas. É o mesmo roteiro de sempre. Mas, como em todo filme longo, algumas cenas importantes desaparecem entre cortes rápidos. 

Em meio à disputa comercial entre potências, às discussões sobre juros, inflação e novas tarifas, um tema essencial ficou ali, no canto do quadro: as terras raras. Silenciosas, técnicas, aparentemente distantes da rotina, mas decisivas para o mundo que construímos e ainda mais para o que vem pela frente.

Para entender por que esse assunto ganhou tanta força, vale começar pelo básico: o que exatamente são as terras raras?

O que são terras raras?

As terras raras formam um grupo de 17 elementos quimicamente semelhantes, fundamentais para a fabricação de produtos de alta tecnologia. Embora não sejam tão escassos quanto o nome sugere, é difícil encontrá-los em forma pura e sua extração envolve riscos ambientais e operacionais significativos.

É possível que neodímio, ítrio e európio não façam parte do seu vocabulário diário, mas certamente fazem parte do seu cotidiano. O neodímio, por exemplo, é usado em ímãs potentes presentes em alto-falantes, discos rígidos, motores de veículos elétricos e até motores a jato. Já o ítrio e o európio ajudam a produzir as cores vibrantes de telas de televisões e computadores.

Além disso, as terras raras são peças-chave em equipamentos médicos, como lasers cirúrgicos e aparelhos de ressonância magnética, e desempenham papel indispensável em tecnologias de defesa.

Com esse pano de fundo, fica fácil entender por que elas se tornaram tão estratégicas. Esses elementos sustentam uma cadeia que vai de computadores domésticos a sistemas militares sofisticados. Por isso, passaram a ser vistas pelos EUA como um risco direto à segurança nacional. Boa parte das tecnologias usadas em armas, satélites e sistemas de defesa depende justamente desses materiais.

E é aqui que o quebra-cabeça geopolítico começa a ser montado.

As relações pelos minerais

Hoje, a China, segundo a Agência Internacional de Energia, é responsável por cerca de 61% da produção de terras raras e por 92% do seu processamento. Na prática, isso significa que Pequim controla quase toda a cadeia com capacidade real de decidir quem recebe ou deixa de receber suprimentos.

maiores reservas de terras raras

É esse poder que alimenta a tensão com os Estados Unidos.

Depois que Washington impôs tarifas comerciais em abril, a China respondeu restringindo a exportação de sete minerais de terras raras, em especial os chamados “pesados”, os quais são altamente relevantes para o setor de defesa. Por serem mais escassos e difíceis de processar, viraram moeda estratégica.

Nos últimos meses, após um período de certa tranquilidade, Pequim endureceu ainda mais o controle: empresas chinesas passaram a precisar de aprovação governamental para exportar, e companhias estrangeiras também passaram a depender do aval do governo para enviar esses materiais ao exterior.

Esse modus operandi é um golpe sensível para os norte-americanos. Entre 2020 e 2023, o país dependeu da China para cerca de 70% de suas importações de compostos e metais de terras raras, segundo relatório do Serviço Geológico dos EUA. Ou seja, Pequim tem uma carta na manga para negociar as relações comerciais com Washington.

Mas para entender como a China conquistou essa posição dominante, é preciso voltar algumas décadas. O país investiu persistentemente na construção de capacidade minerária e, sobretudo, no refino, a etapa mais complexa e cara da cadeia. Não por acaso, ainda nos anos 1990, um líder chinês já sintetizava a aposta estratégica: “O Oriente Médio tem petróleo; a China tem terras raras.”

Agora, o mundo pode começar a procurar outros players. E é aí que entra a oportunidade para o Brasil.

Terras raras também por aqui

Hoje, o país abriga a segunda maior reserva mineral de terras raras do planeta, embora produza e refine muito pouco. Contudo, os investimentos em minerais críticos — como lítio e terras raras — estão acelerando. Segundo o Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração), o setor deve receber US$ 18,45 bilhões até 2029. Só em projetos ligados a terras raras, a estimativa é de US$ 2,17 bilhões, quase 50% acima do ciclo anterior.

Diante dessa combinação de potencial geológico e necessidade global de diversificação, países como os EUA têm intensificado parcerias com aliados estratégicos, como a Austrália, em busca de um equilíbrio maior nessa cadeia tão sensível. O país da Oceania é um dos que têm mais recursos no assunto terras raras.

No fim das contas, as terras raras deixam de ser apenas um conjunto de elementos restritos aos livros de química. Elas se tornam peças centrais da disputa que deve ditar os rumos políticos, econômicos, militares e tecnológicos do futuro. Ainda estamos nos primeiros capítulos de uma história com potencial de se transformar em saga.

O impacto da globalização na carreira e finanças de artistas

O impacto da globalização na carreira e finanças de artistas

(Tempo de leitura: 5 minutos)

O que você precisa saber:
– O efeito da globalização multiplicou as oportunidades para os artistas;
– Por outro lado, essa expansão global traz novos desafios;
– Neste cenário, cresce ainda mais a importância de um planejamento patrimonial e tributário estruturado.


Hoje, o palco de um artista não tem mais fronteiras — ele é tão amplo quanto sua conexão com o mundo. A globalização transformou profundamente a maneira como artistas e atletas se relacionam com suas carreiras, multiplicando oportunidades e derrubando barreiras geográficas. Já não se trata apenas de conquistar o público local; com as plataformas digitais e a facilidade de conexões internacionais, o talento pode ser descoberto em qualquer lugar e atingir milhões de pessoas em poucos cliques.

Essa expansão global, no entanto, traz desafios proporcionais. Atuar em vários mercados exige lidar com diferentes legislações sobre direitos autorais, variações cambiais, barreiras linguísticas e dinâmicas culturais. Gerenciar o patrimônio nesse contexto requer não somente visão de longo prazo, mas uma estratégia sólida, capaz de proteger, adaptar e potencializar os ganhos ao redor do mundo.

O alcance global também amplia as possibilidades de monetização. Redes sociais, plataformas de streaming e outras ferramentas digitais permitem que um cantor em turnê se conecte simultaneamente com fãs em diferentes continentes — e gere receita por múltiplos canais. Essa visibilidade internacional permite transformar a audiência em negócios, impulsionando a relevância e o faturamento exponencialmente.

Com a conectividade certa e parcerias estratégicas, artistas e atletas conseguem estabelecer presença em novos mercados, colaborar com nomes internacionais e explorar fontes de renda até então inacessíveis. Um feat com o artista certo, no país certo, pode abrir portas e consolidar uma nova fase na carreira. Mais do que estar presente em outros países, trata-se de construir relevância cultural e econômica em escala global.

Além disso, o próprio cruzamento de culturas abriu janelas para tendências que mudam o jogo. O K-pop, por exemplo, tornou-se um fenômeno mundial que transcendeu o idioma. O mesmo vale para o Reggaeton, ritmo latino que conquistou as paradas de sucesso e multiplicou sua base de fãs fora da América Latina. Estar atento a esses movimentos e saber como se posicionar diante deles faz parte da estratégia de quem deseja navegar com inteligência no novo cenário.

Essa visibilidade internacional também amplia o potencial de impacto social. Com uma base global de seguidores, artistas têm a chance de expandir suas iniciativas filantrópicas, promovendo causas internacionais e contribuindo para transformações em escala ampliada. A influência que antes era regional passa a ser instrumento de mudança no mundo inteiro.

Mas com grandes oportunidades vêm grandes complexidades. Gerenciar receitas provenientes de diferentes países, lidar com variações cambiais e estruturar contratos em diversas jurisdições exige muito mais do que controle financeiro. É aqui que entra a importância de um planejamento patrimonial e tributário estruturado, capaz de harmonizar diferentes legislações e proteger ativos ao longo do tempo.

Por trás desse processo existe um corpo técnico altamente especializado — profissionais que integram direito internacional, tributação, gestão patrimonial e investimentos. Essa rede de especialistas garante que cada decisão seja tomada de forma estratégica, equilibrando eficiência fiscal, preservação de patrimônio e oportunidades de crescimento. Afinal, o que pode funcionar em um país pode ser inviável em outro, e navegar com segurança por esse mosaico de regras globais é um desafio que só se vence com conhecimento e estrutura.

Portanto, a globalização transformou a forma como artistas e atletas gerenciam suas carreiras e patrimônio. Esse movimento abriu novas oportunidades, mas também trouxe desafios significativos, que exigem uma abordagem estratégica, eficiente e sólida para navegar com sucesso nesse cenário. Com a estratégia certa, os artistas podem não apenas alcançar o mundo, mas também garantir que suas carreiras e finanças floresçam em um palco global.

Esfera Brasil | Urgência e pragmatismo para liderar de forma estratégica

Esfera Brasil | Urgência e pragmatismo para liderar de forma estratégica

(Tempo de leitura: 5 minutos)

O que você precisa saber:
Confira o que aconteceu no III Fórum Esfera Internacional, realizado em Belém (PA).


Por Esfera Brasil

O III Fórum Esfera Internacional, realizado em Belém (PA), reuniu, na manhã desta sexta-feira (10) lideranças políticas e empresariais para antecipar as discussões da COP30, prevista para outubro. O evento marcou a convergência entre representantes do governo federal, do setor privado e da sociedade civil em torno de um objetivo comum: transformar o potencial ambiental brasileiro em oportunidades concretas de investimento.

Entre os temas centrais estiveram a transição energética, a atração de investimentos estrangeiros e a integração da Amazônia à agenda econômica nacional, com destaque para projetos de infraestrutura e bioeconomia. A mensagem predominante foi de urgência e pragmatismo: o País não pode abrir mão de liderar a agenda climática global, mas precisa fazê-lo com equilíbrio fiscal e segurança jurídica.

Autoridades locais, ministros e empresários, reforçaram a mensagem de fortalecer o diálogo entre poder público e iniciativa privada fora do eixo Brasília–São Paulo, levando o debate econômico a regiões estratégicas do País.

“As discussões que estarão acontecendo na COP são transversais. É muito mais do que um evento de meio ambiente. O meio ambiente dialoga diretamente com a economia”, ilustrou o governador do Pará, Helder Barbalho.

Governança e segurança jurídica

A consolidação de um ambiente de negócios seguro passa por marcos regulatórios bem definidos e estabilidade nas políticas públicas. Por outro lado, a ausência de regras sólidas e o excesso de judicialização afastam investidores, especialmente em setores estratégicos como a infraestrutura. 

“Muita gente pergunta porque não vem outra empresa aérea para o Brasil, mas como a gente explica o sistema tributário, regras trabalhistas e alto grau de judicialização?”, questionou Tiago Faierstein, diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Somado a isso, o diretor-presidente da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Sandoval Feitosa, apontou a carga tributária como grande gargalo na atração de investimentos. 

“Mais de 50% do que pagamos de energia elétrica é imposto ou política pública. Isso tem que ser alterado. O consumidor sofre, a indústria sofre e a competitividade brasileira sofre”, disse.

Transição energética

Que o Brasil é um grande player no cenário da transição energética global, isso não é novidade. Mas as inovações regulatórias feitas nos últimos anos têm evidenciado a capacidade brasileira de atrair novos negócios. Um exemplo disso são os data centers

No último mês, o governo editou a Medida Provisória do Redata, que institui o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center. O programa oferece incentivos fiscais para atrair investimentos para a construção de centros de processamento e armazenamento de dados no Brasil, criando contrapartidas como investimento em pesquisa, desenvolvimento e sustentabilidade. 

Para o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, a medida apenas reforça o exemplo brasileiro na transição energética. “Pelas nossas potencialidades e pelo que construímos e fortalecemos nos últimos anos, o Brasil se coloca com infraestrutura suficiente e com energia limpa e renovável. […] Estamos preocupados que estes investimentos gerem efetivamente frutos e resultados, e não sejam apenas pontos de armazenamento de informações para outras nações. Queremos que eles gerem emprego e renda, por isso também estamos garantindo conteúdo local”, defendeu o ministro.

A nova Belém

Pela primeira vez sediando um evento internacional deste porte, a capital paraense esteve, nos últimos meses, no centro de questionamentos quanto à capacidade para hospedar a COP30. Mas para o ministro do Turismo, Celso Sabino, o evento apenas reforçará a relevância da região Norte na agenda econômica sustentável do País. 

“Nunca a cidade de Belém foi tão mencionada como nos últimos meses. O mundo todo só fala em Belém. […] A Amazônia é muito mais do que uma foto de satélite”, declarou.

O prefeito da cidade, Igor Normando, reforçou o marco histórico: “Nós sempre pensamos a COP 30 para além do evento. Pensamos no legado que vai ficar para a nossa cidade”.

Sediar o evento no Brasil, portanto, será uma vitrine de bons exemplos das soluções encontradas pelas diferentes atividades econômicas. “A COP será uma oportunidade para mostrarmos ao mundo o que é uma mineradora que faz as coisas pensando no ecossistema, na descarbonização e na sociedade”, disse Rachel Maia, conselheira de administração da Vale.

Somos parceiros da Esfera BR, uma iniciativa independente e apartidária que fomenta o pensamento e o diálogo sobre o Brasil, um think tank que reúne empresários, empreendedores e a classe produtiva. Todas as opiniões aqui apresentadas são dos participantes do evento. O nosso posicionamento nesta iniciativa é o de ouvir todos os lados, neutro e não partidário.

Clique aqui para ler sobre outras personalidades e eventos promovidos pela Esfera BR e Portofino MFO.

Macro Day 2025

Macro Day 2025

(Tempo de leitura: 15 minutos)

O que você precisa saber:
Nesta segunda-feira (22), aconteceu o Macro Day, evento realizado pelo BTG Pactual que reuniu diversas figuras importantes dos cenários político e econômico, como Fernando Haddad, Ministro da Fazenda, Arthur Lira e Michel Temer, além de outras personalidades políticas e empresariais.


Confira a seguir um overview do evento:

Cenário Econômico

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, abriu sua participação no evento com uma apresentação de slides que trouxe números históricos da economia brasileira. O gesto marcou o tom de sua fala: um balanço de gestão e uma avaliação crítica das escolhas recentes que impactaram as contas públicas.

Haddad destacou que parte dos gastos atuais do governo — equivalente a 0,5 ponto percentual do PIB — foi herdada ainda em 2021, durante a gestão anterior. Outro ponto de crítica foi a chamada “Tese do Século”, decisão que retirou o PIS/Cofins da base de cálculo do ICMS. O ministro atribuiu a essa mudança uma perda de arrecadação estimada em R$ 1 trilhão, reforçando o impacto estrutural nas finanças públicas.

Em sua fala, Haddad defendeu o arcabouço fiscal como a melhor norma disponível para disciplinar as contas públicas. Para ele, fortalecer o modelo passa pela construção de condições políticas que permitam maior diálogo com o Congresso, além do combate a “desperdícios”.

O ministro também fez questão de pontuar que sua gestão deixará um legado relevante para os próximos governos e o país. “Se erramos ou acertamos, a história vai dizer. Mas tudo foi feito com muita tenacidade, com muita vontade. O trabalho não está completo, sempre haverá tarefa pela frente”, afirmou. Em certos momentos, o discurso assumiu um tom de despedida, sugerindo um balanço pessoal de sua passagem pela pasta.

Ao comentar sobre a condução da política monetária, Haddad avaliou que a transição no Banco Central em 2024 foi “difícil” e contribuiu para a elevação dos juros no período. Ainda assim, reconheceu que a taxa de juros no Brasil é resultado de múltiplos fatores, entre eles a questão fiscal, mas não exclusivamente determinada por ela.

Caminhos para o desenvolvimento da Infraestrutura

O ministro dos Transportes, Renan Filho, ressaltou o avanço das concessões realizadas pelo governo atual. Comparou o desempenho com a gestão anterior ao destacar que a atual administração já soma 35 concessões. Segundo ele, em 2026 deverão ser feitas entre 10 e 15 novas concessões rodoviárias, reforçando a continuidade da agenda de infraestrutura.

Renan Filho destacou ainda o conjunto de leilões realizados e afirmou que o Brasil possui hoje uma agenda de concessões reconhecida internacionalmente, capaz de atrair investimentos relevantes. Em sua fala, também mencionou diversas obras de infraestrutura em andamento, que, segundo ele, reforçam a importância estratégica desse movimento para o desenvolvimento do país.

Já o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, também trouxe sua perspectiva sobre o tema das concessões. Ele recordou que o melhor momento nesse campo havia sido em 2004, durante o governo Lula, e ressaltou que 2024 voltou a marcar um período de destaque. O comentário foi feito em resposta às críticas de que o atual governo não apoiaria a agenda de concessões, reforçando que os resultados recentes contradizem essa percepção. Além disso, também falou sobre a possibilidade de concessão do Santos Dumont em um futuro próximo.

Congresso Nacional: Desafios e Perspectivas

O presidente da Câmara, Hugo Motta, destacou a necessidade de cautela no atual momento político, defendendo que seja dada a oportunidade para que todas as vozes sejam ouvidas e que a Casa concentre esforços em uma pauta produtiva para o país. Ele lembrou que, mesmo diante de um cenário marcado por dicotomias e pela presença de “pautas tóxicas”, o parlamento tem aprovado projetos relevantes, como o novo marco de licenciamento ambiental e medidas na área de segurança pública.

“É o momento de tirar da frente todas essas pautas tóxicas”, afirmou, ao comentar a PEC da Blindagem e o projeto de anistia. Segundo ele, “ninguém aguenta mais essa discussão” e o Brasil precisa voltar a se debruçar sobre temas estruturais, como a reforma administrativa, o imposto de renda e a segurança pública. Em sua visão, as manifestações recentes — tanto as contrárias quanto as favoráveis à anistia — evidenciam que “a nossa democracia segue mais viva do que nunca”.

Sobre o PL da Anistia, avaliou que se trata de uma “saída política boa para o país e possível dentro das nossas regras legais, reconhecendo o papel de cada um dentro das suas responsabilidades”. “O que a Câmara quer é construir um consenso dentro das regras legais do país. É possível rever algumas penas que o Congresso entende que foram exageradas. Sendo aprovada essa saída pela Câmara e pelo Senado, há condição de o próprio Judiciário fazer uma reinterpretação dessas penalidades e, quem sabe, mandar essas pessoas que estão presas hoje para casa, para distensionar o ambiente”.

Ele adiantou ainda que a proposta de isenção do Imposto de Renda deve ser votada já na próxima semana. Ao avaliar o cenário político para as eleições de 2026, disse enxergar uma esquerda unida em torno da possível reeleição do presidente Lula, impulsionada pela pauta da soberania e pela projeção internacional do governo. Em contrapartida, considerou que a direita está mais desorganizada, uma vez que não está claro qual será a posição de Jair Bolsonaro. Citou nomes como Tarcísio de Freitas, Ratinho Junior e Ronaldo Caiado, mas reconheceu que o quadro permanece indefinido. Sua expectativa é de que o país caminhe novamente para uma disputa polarizada, como em 2022, embora exista uma “fadiga” do eleitor que não se identifica nem com a direita nem com a esquerda diante dessa dicotomia.

Questionado sobre seu próprio posicionamento, afirmou ser “um homem de partido” e que aguardará a decisão de sua legenda antes de se manifestar. Destacou ainda que, por ser da Paraíba — estado em que Lula venceu com ampla vantagem em 2022 — e ao mesmo tempo filiado ao partido de Tarcísio, precisa manter cautela. “Se eu externo minha posição política, acabo atrapalhando o meu dia”, concluiu.

Perspectivas Macroeconômicas

Eduardo Loyo, sócio do BTG Pactual, avaliou que há hoje mecanismos de pressão do Executivo sobre o Federal Reserve, mas ponderou que o noticiário tende a dar a impressão de que essa interferência é maior do que de fato ocorre. Para ele, não se trata de um Fed excessivamente rígido que precisasse de pressões mais duras. Loyo lembrou que, no ano passado, a instituição adotou uma postura considerada dovish ao cortar juros, movimento que reforça sua visão de que o banco central norte-americano já possui, por natureza, uma inclinação menos restritiva, sem necessidade de influências externas.

Na sequência, Mansueto Almeida, sócio e economista-chefe do BTG Pactual, trouxe sua preocupação com o quadro fiscal brasileiro. Ele afirmou que, a partir de 2027, qualquer governo terá de enfrentar cortes em despesas obrigatórias para garantir o equilíbrio das contas públicas. Estimou que será preciso realizar um ajuste de cerca de R$ 250 bilhões para corrigir a trajetória da dívida, sinalizando a urgência de medidas estruturais nesse campo.

Para Mansueto, mesmo reformas como a administrativa não seriam suficientes para corrigir as distorções nos gastos públicos, reforçando a necessidade de uma agenda mais ampla de ajustes.

O debate contou também com a participação de Tiago Berriel, sócio e estrategista-chefe do BTG Pactual, que se mostrou cético em relação ao efeito do atual ciclo de afrouxamento monetário nos Estados Unidos. Ele avaliou que o Fed poderá ir além de dois cortes adicionais na taxa de juros, mas levantou dúvidas sobre a real eficácia dessa flexibilização. “Eu seria mais cauteloso”, disse.

Política Monetária e Economia Global

Roger Ferguson, Executive Chairman da Andalusian Credit Partners e ex-vice-chairman do Federal Reserve, abordou as incertezas em torno da política tarifária de Donald Trump e da condução da política fiscal nos Estados Unidos. Ele observou que há sinais de que a política econômica norte-americana tem se mostrado restritiva, destacando como evidência o crescimento abaixo do potencial da economia.

Questionado sobre a possibilidade de dois novos cortes de juros, Ferguson ressaltou que o mercado tem absorvido essa expectativa, mas que nem o Fed nem Jerome Powell têm endossado essa visão de forma explícita. Reforçou ainda que cada decisão de política monetária será tomada de maneira independente em cada reunião, avaliando positivamente a atuação recente do banco central, ainda que o futuro permaneça incerto.

Em sua análise, Ferguson destacou também que os mercados consideram a independência do Federal Reserve um pilar fundamental, a ponto de acreditar que eventuais questionamentos a esse princípio seriam resolvidos pelas próprias cortes americanas. Por essa razão, afirmou, não há precificação relevante de riscos à autonomia da instituição.

Outlook de Grandes Gestores

André Jakurski, sócio-fundador da JGP, avaliou que Jerome Powell tem buscado não confrontar diretamente Donald Trump e, por isso, já iniciou o processo de cortes de juros nos Estados Unidos. Para ele, novas reduções — possivelmente uma ou duas ainda neste ano — devem ocorrer. Em relação ao Brasil, Jakurski afirmou considerar insustentável o atual nível da taxa de juros, que, em sua visão, terá de cair. Também projetou para o próximo ano um incentivo adicional para cortes, aliado a uma provável expansão fiscal já a partir do mês que vem.

Luís Stuhlberger, sócio-fundador da Verde Asset, destacou a trajetória do dólar em 2024. Lembrou que, embora esteja se desvalorizando ao longo do ano, a moeda partiu de uma máxima histórica e ainda não retornou sequer ao seu preço médio de longo prazo. Ele reforçou, nesse contexto, a relevância da política fiscal norte-americana como elemento central para a condução da economia global.

Rogério Xavier, sócio-fundador da SPX Capital, apontou que a redução dos juros pelo Fed reflete a fraqueza crescente do mercado de trabalho nos Estados Unidos, processo que, segundo ele, vem se intensificando nos últimos dois anos. Considerou esse movimento preocupante, especialmente diante do quadro de desaceleração da atividade econômica global.

Ao analisar o cenário doméstico, reforçou que será inevitável um ajuste fiscal no início de 2027, independentemente de quem esteja na Presidência. Destacou que a política monetária hiperapertada tem promovido uma desinflação relevante, mas avaliou que a economia brasileira já está em processo de desaceleração. Quanto ao cenário político, previu eleições muito disputadas no próximo ano, com incerteza quanto ao vencedor até a reta final. Reconheceu o empenho do ministro Fernando Haddad em ajustar o orçamento, mas alertou que as pressões políticas previstas para 2026 terão um custo elevado, caso o país não realize um ajuste efetivo a partir de 2027.

Reflexões de Ex-Presidentes da Câmara dos Deputados

O ex-presidente Michel Temer destacou em sua fala a ausência de diálogo no Brasil contemporâneo, tanto entre pessoas quanto entre instituições. Disse desprezar os conceitos tradicionais de esquerda, direita e centro, que, segundo ele, ficaram ultrapassados desde a queda do Muro de Berlim. Para Temer, o que realmente importa à população é o resultado concreto de quem governa. Ressaltou que falta ao país uma cultura de maior abertura ao diálogo.

Em sua visão, deveria ter havido uma tentativa de aproximação direta entre Lula e Donald Trump. Disse acreditar que Donald Trump atenderia a um telefonema, mas que, ainda que não fosse bem-sucedido, o simples gesto já mostraria ao povo brasileiro uma disposição de diálogo. Ao final, afirmou que “o maior cabo eleitoral do presidente Lula é o presidente Trump e aqueles que foram aos EUA para criar problemas aqui para o Brasil”.

Arthur Lira, deputado federal e ex-presidente da Câmara, avaliou que o atual momento em Brasília é marcado por cautela e dificuldade de articulação política, o que trava avanços em pautas relevantes. Segundo ele, não se trata de diferenças ideológicas, mas da falta de sinergia entre Executivo e Congresso. Lembrou que o atual governo recebeu do Legislativo, ainda antes da posse, a aprovação de uma PEC de transição que possibilitou a implementação de medidas logo no início do mandato, mas que, desde então, essa dinâmica não se manteve. Como exemplo, citou a questão do IOF, em que o governo acabou se apoiando no Supremo diante da falta de articulação parlamentar.

Lira comentou ainda sobre o projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda, afirmando que a proposta “traz justiça tributária”, mas antecipando um debate intenso em torno do tema.

Rodrigo Maia, também ex-presidente da Câmara e atualmente presidente da Fin, criticou a atuação da oposição, avaliando que sua desorganização acabou fortalecendo o governo Lula. “Só assim para o Lula voltar para o jogo”, disse, ressaltando que o presidente se beneficiou da estratégia equivocada da extrema-direita.

Ao projetar as eleições de 2026, Maia afirmou acreditar em uma candidatura de Lula, que classificou como conservadora e representativa do passado. Do outro lado, apontou o governador Tarcísio de Freitas como um nome competitivo, capaz de unir apoios no campo da direita. Em sua visão, caso Tarcísio consiga se desvincular da rejeição de Jair Bolsonaro, a disputa poderá ser bastante equilibrada e menos tensa.

Este conteúdo é produzido pela PORTOFINO MULTI FAMILY OFFICE e fomenta o diálogo sobre a política e o empresariado brasileiro. A nossa opinião é neutra e não é partidária.

Como identificar um golpe digital? Fique de olho nestes sinais de alerta!

Como identificar um golpe digital? Fique de olho nestes sinais de alerta!

(Tempo de leitura: 3 minutos)

O que você precisa saber:
– WhatsApp, SMS, e-mail e ligações são alguns dos golpes mais comuns;
– Erros de português, urgência e pressão são alguns sinais de alerta.


Golpe do WhatsApp Clonado

  • Um golpista se passa por você, pedindo dinheiro emprestado para seus contatos.
  • Dica: Ative a verificação em duas etapas no seu WhatsApp e sempre ligue para a pessoa antes de fazer qualquer transferência.

Golpe do Boleto Falso

  • Você recebe um boleto por e-mail ou mensagem, mas ele foi adulterado.
  • Dica: Sempre verifique o nome do beneficiário e o CNPJ antes de pagar.

O Famoso “Phishing”

  • E-mails, SMS ou mensagens que parecem de empresas conhecidas, mas usam links falsos para roubar seus dados.
  • Dica: Nunca clique em links suspeitos. Acesse o site oficial diretamente.

Golpes telefônicos

  • Ligações em que o golpista se apresenta como funcionário de banco ou empresa, pedindo senhas, tokens ou códigos de acesso.
  • Ofertas falsas de investimentos com promessas de ganhos rápidos.

Portanto, fique de olho!

  • Erros de português
    Mensagens de supostas empresas sérias, mas cheias de erros de digitação e gramática.
  • Urgência e pressão
    O golpista cria um senso de emergência para que você não tenha tempo de pensar.
    Exemplo: “Se não resolver, sua conta será bloqueada!”
  • Desconfie de prêmios, heranças, investimentos ou descontos que parecem bons demais para ser verdade.
  • Nunca compartilhe senhas, códigos ou dados de cartão.

Em caso de suspeita

  • Interrompa o contato imediatamente
  • Registre ocorrência junto às autoridades competentes
  • Fale com o seu contato de confiança na instituição financeira

Fique seguro!

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