O que você precisa saber:
Nesta quarta-feira (11), aconteceu o segundo dia do CEO Conference Brasil 2026, evento promovido pelo BTG Pactual, que contou com a presença de diversas figuras importantes do cenário político e econômico, como o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato á República, Gilberto Kassab, Sec. de Rel. Institucionais de São Paulo e Presidente Nacional do PSD, entre outros.
Cenário econômico 2026
O segundo dia de CEO Conference começou com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, no centro do palco. Logo de início, ele já citou que a diretoria do BC está de olho em todos os dados e acrescentou que há diversas fontes de incertezas atualmente: geopolítica, ano de eleição e o comportamento da economia, especialmente emprego e produtividade.
Galípolo comentou que a autarquia espera mais dados para reforçar a confiança e iniciar o corte de juros em março. Ele disse que “vamos encarar os dados e consumir com serenidade”. Galípolo contou que a autoridade monetária não irá realizar movimentos bruscos, com decisões graduais. “A palavra-chave é serenidade”, disse.
O presidente foi questionado sobre as vagas abertas na diretoria do BC, mas evitou se comprometer: “prerrogativa do presidente da República”. Sobre os nomes ventilados por Fernando Haddad, Guilherme Melo e Tiago Cavalcanti, Galípolo falou: “Não conheço o Tiago, mas sei que é um nome excelente. O Guilherme conheço há 20 anos. Mas, de novo, esta é uma prerrogativa do presidente da República”.
Antes de terminar, o presidente questionou: “por que o Brasil precisa de juros elevados, em relação aos pares, para conseguir convergência?”. A resposta dele? Ressaltou haver elementos conjunturais e estruturais.
Na sequência, o evento debateu estratégias de investimentos em meio ao cenário atual de geopolítica e de eleições.
André Lion, sócio e CIO da Ibiuna Investimentos, explicou que o Brasil está muito bem posicionado para se aproveitar do movimento estrutural de realocação de ativos. O outro convidado, Leonardo Linhares, sócio da SPX Investimentos, acrescentou que Trump “tratou mal o capital” e contribui para esse cenário com as incertezas geradas.
No que diz respeito às eleições, Linhares foi firme em sua opinião: “eu não vou dormir tranquilo se tiver a continuidade desse governo.” Nas perspectivas de futuro, ele analisou que “o governo atual é mais fraco do que parecia”, em chances de reeleição. Lion também disse que fica “ansioso com a continuidade do governo”. “O problema é que o Brasil vai continuar numa situação extremamente frágil”, disse. Contudo, não acredita que será um cenário muito diferente com a vitória desse governo.
Oportunidades e Desafios no Setor Energético Brasileiro
O ministro Alexandre Silveira, de Minas e Energia, começou sua participação destacando o potencial que o Brasil tem na transição energética, o líder desse movimento. Por outro lado, criticou o fato de o país ter uma das energias mais limpas do mundo, mas, ao mesmo tempo, uma das mais caras. Ainda completou: “Precisamos ser reconhecidos pela pluralidade energética”.
A China ganhou espaço no debate, principalmente sobre eletrificação. O ministro destacou a dominância do país asiático no setor e como conseguiram agregar nas cadeias de terras. Neste cenário, ele comentou uma iniciativa de intercâmbio de profissionais brasileiros na China e, quando voltarem, estarão vinculados ao governo para agregar na indústria.
Além disso, afirmou que o governo vai reajustar os preços-teto do Leilão de Reserva de Capacidade após reação negativa. Silveira também defendeu o licenciamento da Margem Equatorial, segundo ele, a grande conquista de Lula. Ele explicou que o país não pode “preterir o petróleo” e que a iniciativa “vai transformar o Norte do país”.
Para encerrar, reafirmou seu apoio à reeleição do presidente Lula. “Lula está muito dedicado e focado no Brasil. Desconheço alguém que tenha o respeito que o presidente tem no mundo, inclusive com o Trump”, finalizou.
Reflexões: o Brasil e o Mundo em 2026
Na parte da tarde, André Esteves, chairman & sócio sênior do BTG Pactual, começou o debate com o cenário político. “Quem for sentar na cadeira ano que vem não vai pegar terra arrasada. Economia, para mim, não é um grande problema”, disse, contudo ponderando que ainda falta sustentabilidade para a trajetória da dívida.
Ele foi convidado a analisar o cenário para as eleições. Ele acredita que o senador Flávio Bolsonaro tem chances, mas que o pleito está 50/50: “será uma eleição competitiva”. Apesar do equilíbrio, destacou que Lula pode ter uma vantagem por toda a experiência em campanhas políticas.
Esteves disse que a percepção geral é de que o risco político no país diminui. O comentário foi feito após ser perguntado sobre a entrada de recursos de investidores estrangeiros. Logo após, complementou dizendo que isso merece ser celebrado e que o “Brasil é institucionalmente confiável”.
Do ponto de vista internacional, vê com bons olhos o interesse norte-americano pela América Latina. “Podemos discordar de algumas questões, mas no geral vejo como positiva”, opinou.
Entrevista com Flávio Bolsonaro
O senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro, foi outro nome que marcou presença no CEO Conference.
O seu painel começou com ele contando a história da sua vida, falando sobre as filhas e esposa, e depois sua carreira na política. Como era esperado, elogiou o mandato de Jair Bolsonaro e criticou a prisão de seu pai, que a definiu como uma situação de “injustiça”. “Uma pessoa inocente não merece passar pelo que ele está passando”, afirmou.
Questionado sobre sua candidatura, Bolsonaro defendeu o diálogo depois que foi perguntado se a sua relação com as outras instituições seria de embate como foi a de seu pai. “Acredito que vamos ganhar essa eleição com o cérebro e não com o fígado”, disse. Ele também sinalizou que, se for eleito, pretende manter programas sociais e cortar impostos.
A relação com o governador Tarcísio de Freitas foi tema de debate. O senador descreveu um clima amigável com o político quando foi perguntado se a decisão de Bolsonaro escolhê-lo como o nome da direita foi acertada, a qual ele disse que sim. “O Tarcísio é alguém com quem tenho uma relação muito boa, apesar das tentativas da imprensa de criar animosidade entre a gente. O meu amigo que faz um governo muito bom em SP”, comentou.
Ainda sobre a candidatura, ele respondeu sobre Romeu Zema ser o vice, possibilidade que não foi descartada e que seria um “bom nome” para a posição. A possível equipe econômica também foi tema, mas Bolsonaro escondeu o jogo e explicou que ainda é muito cedo para falar disso. Contudo, não poupou o atual ministro da Fazenda: “com certeza vai ser muito melhor que o Haddad”.
Por falar no atual governo, o pré-candidato fez inúmeras críticas a Lula e sua equipe. Ele afirmou que essa eleição não vai ser mais sobre Lula e Bolsonaro, “mas, sim, o caminho que o Brasil quer seguir: o da prosperidade ou das trevas”. O senador ainda comparou o atual presidente com um carro velho que um dia já serviu, mas hoje não leva a lugar nenhum e “bebe igual” a um. Haddad foi chamado de “o melhor ministro do Paraguai”.
Inteligência Artificial e Investimentos em Tecnologia
Já na reta final do evento, a inteligência artificial ganhou destaque. John Lindfors, cofundador da DST Global, disse que acompanha o desempenho de machine learning há mais de 12 anos. “Pensamos que, desde o início, ter uma exposição no setor de inteligência artificial. Escolher uma empresa contra a outra não era tão fácil. Vimos as grandes empresas surgindo e, por isso, criamos esse portfólio”, explicou.
Por fim, contou que a visão deles sobre o futuro da tecnologia “é que muitos setores vão ser impactados pela IA. Agora, estamos focados em indústrias que vão ser impactadas e buscamos empresas nesses setores”.
Cenário Político 2026
O evento terminou com Gilberto Kassab, Sec. de Rel. Institucionais de São Paulo e Presidente Nacional do PSD. Para ele, Tarcísio é o melhor candidato para a Presidência “por sua experiência, por governar São Paulo, por ter a perspectiva de vitória mais consistente frente ao atual governo”. Entretanto, afirmou que o governador fez certo ao apoiar Flávio Bolsonaro.
Sobre o Flávio, Kassab disse que ele e Lula têm rejeição, por isso, há espaço para uma candidatura de centro. Neste sentido, confirmou que a “chance de o PSD não ter candidato é zero”.
Para encerrar o evento, ainda negou qualquer chance de ser vice de Lula e falou que não é candidato a nada, mas que, se surgirem circunstâncias para isso, não fecha as portas.
Este conteúdo é produzido pela PORTOFINO MULTI FAMILY OFFICE e fomenta o diálogo sobre a política e o empresariado brasileiro. A nossa opinião é neutra e não é partidária.
O que você precisa saber: Nesta terça-feira (10), aconteceu o primeiro dia do CEO Conference Brasil 2026, evento promovido pelo BTG Pactual, que contou com a presença de diversas figuras importantes do cenário político e econômico, como o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, entre outros.
Cenário Econômico 2026
O evento começou com o ministro Fernando Haddad. Desde que anunciou que não continuaria na Fazenda, as expectativas são para quando ele irá sair e quem será seu substituto. Entretanto, ele disse que ainda não há data para sua saída e que ainda tem “últimas aparições” para fazer.Além disso, Haddad preferiu não cravar quem será seu substituto – Dario Durigan, secretário executivo do ministério, é apontado como o favorito – e evitou falar sobre os planos do presidente Lula para seu nome nas eleições.O ministro também aproveitou o espaço para fazer um balanço de sua gestão. Segundo ele, seu sucessor vai encontrar uma situação melhor do que quando ele entrou e citou que o seu grande legado é a reforma tributária: “o Brasil vai se tornar ainda mais atrativo aos investimentos também em função da reforma tributária”.
O Banco Central também foi pauta do evento. Apesar de ter afirmado que não vê razões para o atual nível de juros reais no Brasil, Haddad ponderou ser muito importante “cuidar” do BC. Ele ainda completou que a autarquia pode contribuir muito ou prejudicar muito os governos e o país.Por fim, a política fiscal, a qual o ministro afirmou que o nível da discussão tem baixa qualidade técnica. Em sua crítica, ele argumentou que o tema tem sido explorado pela imprensa e “monopolizado por desinformação”.
Congresso Nacional em 2026: Perspectivas e prioridades
Na sequência, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, participou do evento. Também questionado sobre o Banco Central, ele foi categórico ao dizer que “não vamos pautar a revisão da autonomia do BC”. Para ele, a instituição precisa funcionar sem interferências.
A escala 6×1, outra pauta de grande repercussão na sociedade, Motta comentou que pretende votar a proposta em maio, mas vai conversar com Lula sobre o projeto.Por falar no presidente, Motta avaliou que Lula precisará entrar na agenda fiscal em 2027 caso seja reeleito para um quarto mandato.
Ele também analisou que a questão fiscal não estará no centro do debate eleitoral que, em sua visão, estará focado em temas do dia a dia da população.O político comentou sobre os aumentos de impostos do governo, afirmando que não vê mais espaço para essa abordagem em 2026. Para ele, “o Congresso pôde, ao longo dos últimos três anos, e mais especificamente em 2025, pactuar com o governo todo o aumento de arrecadação baseado na elevação de taxas e de impostos. Eu não vejo mais janela para aprovação de aumento de tributos no ano de 2026”.
Fireside Chat: Scott Bessent, Secretary of the Treasury of the United States
Para finalizar a parte da manhã do evento, em videoconferência, Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, falou sobre a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Fed. Ele contou que participou do processo junto a Donald Trump e que ambos procuravam por alguém de “mente aberta”. Bessent disse que muitas pessoas perguntam para onde eles estavam olhando, se era alguém que fosse baixar os juros, mas, na verdade, queriam alguém de mente aberta. A experiência de Warsh com tecnologia e inteligência artificial também contribuiu para a seleção.
A inteligência artificial seguiu em debate quando o assunto foi os possíveis impactos da tecnologia no mercado de trabalho. Em análise, o secretário foi otimista quando afirmou que “historicamente, quando temos um boom de produtividade, há também um boom de empregos” e que o conhecimento em IA agrega muito valor para as pessoas.Não tinha como não falar em tarifas. Um dos grandes temas do governo Trump se destacou quando Bessent enfatizou que o final da política de tarifas “é a reindustrialização e o reequilíbrio da economia”.O debate do painel ainda se estendeu para uma análise global das relações internacionais.
Venezuela: segundo o secretário, as pessoas no governo da Venezuela estão cooperando e acha possível ter eleições diretas no país. A parceria “é muito boa”, disse.
Brasil: destacou que a relação entre os presidentes é de diálogo após um início turbulento.
Quando se fala de América Latina, ele analisou que o momento é “extremamente empolgante”. “Eu acho que esta é uma oportunidade geracional [para redesenhar as relações]”, disse Bessent, e citou a Argentina como exemplo da atuação norte-americana recentemente.
China: a situação é bem confortável, caracterizou o secretário. “Queremos que nossa rivalidade seja justa. Não queremos nos afastar da China”.
TCU: Controle, Transparência e Desenvolvimento Econômico
O presidente do TCU, Vital do Rêgo, abriu os trabalhos da tarde com falas sobre as eleições de 2026. Questionado sobre o período em que as urnas eletrônicas foram colocadas em dúvida, ele foi firme: “contestar as urnas eletrônicas do Brasil era um plano que tinha objetivos claros. E agora todo mundo está sabendo qual era”. Além disso, fez questão de ressaltar a confiabilidade das urnas para a próxima eleição.
Para não ficar de fora do tema do momento, o presidente foi aplaudido pela plateia ao responder sobre a autonomia do Banco Central: “O BC é uma agência reguladora, então defendo sua total independência. Debater essa questão é um retrocesso absurdo”.
O Futuro da Infraestrutura no Brasil
Neste painel, o ministro dos Transportes, Renan Filho, citou que, enquanto o governo Bolsonaro fez apenas 6 leilões em rodovias, o governo Lula irá realizar 36, com R$ 400 bilhões contratados.Ele aproveitou o espaço para ressaltar como o Brasil tem todos os ingredientes necessários para seguir em um “ciclo virtuoso” em infraestrutura. Segundo o ministro, o país se destaca em quatro pontos: projetos rentáveis na comparação internacional, a agenda de sustentabilidade, um mercado de capitais sofisticado e a relação internacional do Brasil.“O Brasil está em máxima histórica de investimento em infraestrutura”, disse.
Junto no debate, Silvio Costa, ministro dos Portos e Aeroportos, destacou as concessões no setor ao longo dos últimos anos. “Hoje, temos em contratos assinados mais de R$ 500 bilhões em todas as áreas de concessões”, afirmou.Assim como seu colega ministro, ele também comparou o governo Lula com o de Bolsonaro. Ele analisou que, em três anos de Lula 3, já foram mais de R$ 30 bilhões de concessões, enquanto no do ex-presidente, R$ 5 bilhões.Ele também citou o Banco Central e a política monetária, a qual “não tem por que a autoridade segurar a taxa de juros em 15%”. Em adição, aproveitou o espaço para defender e exaltar a importância da autonomia do BC.
Perspectivas da Macroeconomia Brasileira
Já na reta final, Eduardo Loyo, sócio do BTG Pactual, comentou as perspectivas da política monetária dos Estados Unidos. Na sua visão, uma abordagem que priorize a redução da inflação para a meta lhe agrada mais, mas entende a predisposição para o corte de juros. Ele ainda comparou que as condições para cortar os juros nos EUA são muito mais desfavoráveis do que no Brasil. Samuel Pessôa, pesquisador macroeconômico do banco, complementou: o comportamento de Trump só atrapalha o trabalho da condução de política monetária.
Aplaudido pelos presentes ao finalizar sua fala, Mansueto Almeida, sócio e economista-chefe do BTG Pactual, foi firme em sua crítica à situação fiscal e afirmou que, independentemente do vencedor da eleição presidencial, o próximo governo terá de conter o crescimento das despesas. Para o ex-secretário do Tesouro Nacional, a estratégia do atual governo não é sustentável – aumentar a arrecadação para cobrir as despesas. “Não podemos repetir nos próximos quatro anos o que foi feito nos últimos”, explicou.Ele também criticou o arcabouço fiscal, que inicialmente foi bem aceito, mas depois, segundo ele, perdeu a credibilidade com a criação de programas fora da regra.
O outro painelista, Tiago Berriel, sócio e estrategista-chefe, falou sobre política monetária brasileira. “É difícil fazer um ciclo de flexibilização monetária em ano eleitoral devido à variação do câmbio e ao expansionismo da política fiscal”, disse. E foi mais analítico: como o banco central vai reagir a esses riscos? Ele pensa que a autoridade pode começar com um ritmo mais lento de cortes e, a depender de como o ano se desenvolve, aumentar o ritmo.
Outlook de Grandes Gestores
Por fim, o primeiro dia terminou com o tradicional debate entre gestores.
André Jakurski, sócio-fundador da JGP, discorreu sobre os riscos geopolíticos, especialmente com o risco que ele definiu como “problema sério” em Taiwan. Sobre o Brasil, sua interpretação é de que o mercado ainda não está pensando em eleição, e acredita que, se o Lula for eleito para um quarto mandato, não haverá nada de novo.
A fala de Luís Stuhlberger, sócio-fundador da Verde Asset, sobre os Estados Unidos, se concentrou no campo político, onde demonstrou sua preocupação com as eleições de meio de mandato. Segundo ele, hoje há uma projeção de 38% e 100% de Trump perder o Senado e a Câmara, respectivamente. Para o Brasil, em caso de um Lula 4, ele concorda com a visão de André Jakurski de que não haverá uma reação instantânea. Contudo, ele alerta que a diferença desta vez é o cenário: maior dívida pública, juros mais altos e a carga tributária mais alta da história.
Encerrando a roda de conversa, Rogério Xavier, sócio-fundador da SPX Capital, acha que o Fed vai continuar cortando juros com Kevin Warsh. No campo da geopolítica, ele expôs uma visão diferente dos outros participantes quando diz acreditar que não vai ter uma agressão da China a Taiwan. “Vejo uma questão mais política do que militar”, explicou. Quanto ao Brasil? Para ele, as eleições são 50/50 – ou seja, não há nada definido. Entretanto, mesmo com essa divisão, disse que não haverá uma ruptura depois do resultado. Terminou a participação levantando uma provocação a todos os presentes: qual o motivo para as pessoas não discutirem o fato de ter um presidente com 81 anos? O CEO Conference Brasil 2026 retorna nesta quarta-feira (11) com outros nomes importantes.
Este conteúdo é produzido pela PORTOFINO MULTI FAMILY OFFICE e fomenta o diálogo sobre a política e o empresariado brasileiro. A nossa opinião é neutra e não é partidária.
Há um novo projeto de lei em tramitação sobre o Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF), apresentado na última semana na Câmara dos Deputados.
Resumo – Projeto de Lei Complementar nº 5 de 2026
Grandes fortunas: patrimônio superior a R$ 10MM, descontadas as dívidas.
Alíquotas: de 1% a 3%, conforme tabela abaixo.
Contribuintes: (i) pessoas físicas residentes e domiciliadas no Brasil; (ii) não residentes, que tenham patrimônio no Brasil superior a R$ 10M.
Base de cálculo: como regra geral, a avaliação dos bens e direitos será pelo valor de mercado.
Tramitação: o projeto será analisado pela Câmara dos Deputados. Se aprovado, seguirá para o Senado Federal. Na sequência, após a aprovação nas duas casas, segue para sanção ou veto presidencial.
Se o texto for aprovado ainda em 2026, passaria a valer apenas em 1º de janeiro de 2027.
O presidente do BC entra em seu segundo ano no cargo
A autoridade monetária justifica a “condução cautelosa” dos juros com a desaceleração da inflação
Em ano eleitoral, as incertezas podem ser um fator na condução da política monetária
Em 2025, começamos o ano falando sobre “O – primeiro – grande dia de Gabriel Galípolo”. À época, o foco estava na expectativa em torno de sua estreia à frente do Banco Central, marcada por uma decisão de juros cercada de simbolismo. Um ano depois, iniciamos este novo texto olhando para “O – segundo – grande ano” de Galípolo.
Ao observar 2025 em retrospecto, fica claro que o presidente do BC manteve uma condução técnica e consistente, dissipando as dúvidas sobre uma eventual abertura a interferências políticas. O receio, naquele momento inicial, era de que o governo pudesse exercer influência sobre a política monetária, especialmente diante da pressão que havia recaído sobre seu antecessor, Roberto Campos Neto, para acelerar os cortes na taxa de juros.
Hoje, essa não é mais uma questão. Ao longo de todo o último ano, o Copom adotou uma postura técnica e independente, mesmo sob pressão do governo federal, ainda que menos intensa do que na gestão anterior. O resultado dessa estratégia foi uma elevação da Selic para 15% ao ano, o maior patamar em duas décadas, evidenciando a disposição da autoridade monetária em priorizar o controle inflacionário, ao passo em que o governo injetava liquidez via benefícios sociais e reajuste do salário mínimo.
Fonte: Banco Central
O BC tem dito claramente que uma desaceleração, ou seja, um ritmo menor de crescimento da economia, faz parte da estratégia de conter a inflação no país. A explicação é que, com um ritmo menor de crescimento, há menos pressões inflacionárias, principalmente no setor de serviços – um dos principais focos de atenção da política monetária.
Na ata da última reunião, o Banco Central avaliou que a “condução cautelosa” da política de juros tem contribuído para se observar ganhos de desaceleração da inflação. Ainda, reafirmou o “firme compromisso” com a missão de levar a inflação à meta e que o cenário atual prescreve uma política “significativamente contracionista por período bastante prolongado”.
Em linha com esse discurso, a inflação de 2025 fechou no teto da meta. O resultado de 4,26% foi o quinto menor desde 1995. Ainda assim, a resiliência da inflação de serviços, uma das variáveis mais sensíveis para o BC, segue pressionando.
Fonte: IBGE
Usada como termômetro de pressões de demanda sobre os preços, o indicador acelerou de 0,60% em novembro para 0,72% em dezembro, decorrente, dentre outros fatores, de pressões sazonais.
Agora, com a manutenção da taxa de juros em 15% ao longo dos últimos meses, crescem as expectativas para o início de um eventual ciclo de afrouxamento da política monetária. Na outra ponta, porém, as incertezas de um ano eleitoral – mais um que promete polarização elevada. Ou seja, a tendência é de aumento de gastos – o famoso “kit reeleição”, postura natural para qualquer governo no último ano de mandato. E a lógica é conhecida: quando o fiscal acelera, a política monetária tem que ser mais ativa.
O embate entre Trump e Powell aumenta as tensões às vésperas da reunião de juros
O presidente do Fed publicou vídeo criticando a ação do governo
Para ele, se trata de uma ameaça clara à independência da autoridade monetária
O ano de 2026 começou carregando as mesmas tensões que marcaram o fim de 2025. Entre elas, a relação cada vez mais conturbada entre Donald Trump e Jerome Powell, tendo a independência do Federal Reserve como pano de fundo.
As tensões voltaram a escalar já na segunda semana do ano, após o Departamento de Justiça dos Estados Unidos enviar ao Federal Reserve uma intimação relacionada à investigação que apura se Powell teria mentido ao Congresso. O foco do depoimento são as reformas na sede do Fed, em Washington, que envolvem a expansão e modernização de dois edifícios da década de 1930, com custo estimado em US$2,5 bilhões.
As pressões do governo sobre o Fed – especialmente de Trump – não são novidade. O elemento novo, desta vez, foi a reação de Jerome Powell. O chair se manifestou por meio de uma gravação, na qual afirmou que o processo está diretamente ligado à resistência do Fed em atender aos pedidos do presidente por cortes mais agressivos na taxa de juros. Para Powell, trata-se de uma ameaça clara à independência da autoridade monetária.
“É uma consequência do fato de o Federal Reserve definir as taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que será melhor para o público, em vez de seguir as preferências do presidente”, disse o dirigente.
Trump, por outro lado, negou que tenha qualquer relação com a acusação. A negativa, contudo, não arrefeceu as reações. Presidentes de bancos centrais ao redor do mundo assinaram uma carta conjunta em apoio a Powell, criticando qualquer tentativa de interferência política sobre a condução da política monetária e reforçando a importância da autonomia institucional do Fed. (Leia o documento mais abaixo)
O episódio se soma a uma longa lista de atritos entre o governo e o banco central. Entram nessa conta o processo contra Lisa Cook (entenda aqui), as críticas públicas e até os insultos direcionados a Powell em meio às pressões por cortes mais rápidos e profundos nos juros.
Na última reunião do ano, o Fed reduziu a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para 3,5% a 3,75%, em decisão dividida: Stephan Miran — recém indicado por Trump — defendeu um corte maior, de 0,5 ponto, enquanto outros dois membros, Jeffrey Schmid e Austan Goolsbee, votaram pela manutenção. O comitê sinalizou apenas um corte adicional para 2026, ressaltando a incerteza quanto às perspectivas econômicas. Após os dados de inflação mais recentes, Trump voltou a pressionar por cortes mais agressivos nos juros.
Em tempo, a mudança no comando do Fed é um tema para acompanhar de perto. Trump já comunicou sua preferência por um nome mais alinhado às suas preferências e afirmou, inclusive, que o substituto de Powell já estaria escolhido. A decisão deve ser anunciada em breve.
Confira a carta assinada pelos presidentes de BCs ao redor do mundo.
13 de janeiro de 2026
Manifestamos total solidariedade com o Sistema do Federal Reserve e seu chair, Jerome H. Powell. A independência dos bancos centrais é um pilar da estabilidade de preços, financeira e econômica, no interesse dos cidadãos que servimos. Por isso, é fundamental preservar essa independência, com pleno respeito ao Estado de Direito e à responsabilidade democrática. O chair Powell tem exercido sua função com integridade, foco em seu mandato e compromisso inabalável com o interesse público. Para nós, ele é um colega respeitado e amplamente reconhecido por todos que trabalharam com ele.
Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, em nome do Conselho do BCE Andrew Bailey, presidente do Banco da Inglaterra Erik Thedéen, presidente do Sveriges Riksbank Christian Kettel Thomsen, presidente do Conselho de Governadores do Danmarks Nationalbank Martin Schlegel, presidente do Conselho de Governadores do Banco Nacional da Suíça Ida Wolden Bache, presidente do Norges Bank Michele Bullock, presidente do Reserve Bank of Australia Tiff Macklem, presidente do Banco do Canadá Chang Yong Rhee, presidente do Banco da Coreia Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central do Brasil François Villeroy de Galhau, presidente do Conselho de Diretores do Banco de Compensações Internacionais Pablo Hernández de Cos, diretor-geral do Banco de Compensações Internacionais.
O que você precisa saber: – O efeito da globalização multiplicou as oportunidades para os artistas; – Por outro lado, essa expansão global traz novos desafios; – Neste cenário, cresce ainda mais a importância de um planejamento patrimonial e tributário estruturado.
Hoje, o palco de um artista não tem mais fronteiras — ele é tão amplo quanto sua conexão com o mundo. A globalização transformou profundamente a maneira como artistas e atletas se relacionam com suas carreiras, multiplicando oportunidades e derrubando barreiras geográficas. Já não se trata apenas de conquistar o público local; com as plataformas digitais e a facilidade de conexões internacionais, o talento pode ser descoberto em qualquer lugar e atingir milhões de pessoas em poucos cliques.
Essa expansão global, no entanto, traz desafios proporcionais. Atuar em vários mercados exige lidar com diferentes legislações sobre direitos autorais, variações cambiais, barreiras linguísticas e dinâmicas culturais. Gerenciar o patrimônio nesse contexto requer não somente visão de longo prazo, mas uma estratégia sólida, capaz de proteger, adaptar e potencializar os ganhos ao redor do mundo.
O alcance global também amplia as possibilidades de monetização. Redes sociais, plataformas de streaming e outras ferramentas digitais permitem que um cantor em turnê se conecte simultaneamente com fãs em diferentes continentes — e gere receita por múltiplos canais. Essa visibilidade internacional permite transformar a audiência em negócios, impulsionando a relevância e o faturamento exponencialmente.
Com a conectividade certa e parcerias estratégicas, artistas e atletas conseguem estabelecer presença em novos mercados, colaborar com nomes internacionais e explorar fontes de renda até então inacessíveis. Um feat com o artista certo, no país certo, pode abrir portas e consolidar uma nova fase na carreira. Mais do que estar presente em outros países, trata-se de construir relevância cultural e econômica em escala global.
Além disso, o próprio cruzamento de culturas abriu janelas para tendências que mudam o jogo. O K-pop, por exemplo, tornou-se um fenômeno mundial que transcendeu o idioma. O mesmo vale para o Reggaeton, ritmo latino que conquistou as paradas de sucesso e multiplicou sua base de fãs fora da América Latina. Estar atento a esses movimentos e saber como se posicionar diante deles faz parte da estratégia de quem deseja navegar com inteligência no novo cenário.
Essa visibilidade internacional também amplia o potencial de impacto social. Com uma base global de seguidores, artistas têm a chance de expandir suas iniciativas filantrópicas, promovendo causas internacionais e contribuindo para transformações em escala ampliada. A influência que antes era regional passa a ser instrumento de mudança no mundo inteiro.
Mas com grandes oportunidades vêm grandes complexidades. Gerenciar receitas provenientes de diferentes países, lidar com variações cambiais e estruturar contratos em diversas jurisdições exige muito mais do que controle financeiro. É aqui que entra a importância de um planejamento patrimonial e tributário estruturado, capaz de harmonizar diferentes legislações e proteger ativos ao longo do tempo.
Por trás desse processo existe um corpo técnico altamente especializado — profissionais que integram direito internacional, tributação, gestão patrimonial e investimentos. Essa rede de especialistas garante que cada decisão seja tomada de forma estratégica, equilibrando eficiência fiscal, preservação de patrimônio e oportunidades de crescimento. Afinal, o que pode funcionar em um país pode ser inviável em outro, e navegar com segurança por esse mosaico de regras globais é um desafio que só se vence com conhecimento e estrutura.
Portanto, a globalização transformou a forma como artistas e atletas gerenciam suas carreiras e patrimônio. Esse movimento abriu novas oportunidades, mas também trouxe desafios significativos, que exigem uma abordagem estratégica, eficiente e sólida para navegar com sucesso nesse cenário. Com a estratégia certa, os artistas podem não apenas alcançar o mundo, mas também garantir que suas carreiras e finanças floresçam em um palco global.
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