por Raphael Fernandes | 11 fev 2026 | Family Office, Wealth management
(Tempo de leitura: 11 minutos)
O que você precisa saber:
Nesta quarta-feira (11), aconteceu o segundo dia do CEO Conference Brasil 2026, evento promovido pelo BTG Pactual, que contou com a presença de diversas figuras importantes do cenário político e econômico, como o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato á República, Gilberto Kassab, Sec. de Rel. Institucionais de São Paulo e Presidente Nacional do PSD, entre outros.
Cenário econômico 2026
O segundo dia de CEO Conference começou com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, no centro do palco. Logo de início, ele já citou que a diretoria do BC está de olho em todos os dados e acrescentou que há diversas fontes de incertezas atualmente: geopolítica, ano de eleição e o comportamento da economia, especialmente emprego e produtividade.
Galípolo comentou que a autarquia espera mais dados para reforçar a confiança e iniciar o corte de juros em março. Ele disse que “vamos encarar os dados e consumir com serenidade”. Galípolo contou que a autoridade monetária não irá realizar movimentos bruscos, com decisões graduais. “A palavra-chave é serenidade”, disse.
O presidente foi questionado sobre as vagas abertas na diretoria do BC, mas evitou se comprometer: “prerrogativa do presidente da República”. Sobre os nomes ventilados por Fernando Haddad, Guilherme Melo e Tiago Cavalcanti, Galípolo falou: “Não conheço o Tiago, mas sei que é um nome excelente. O Guilherme conheço há 20 anos. Mas, de novo, esta é uma prerrogativa do presidente da República”.
Antes de terminar, o presidente questionou: “por que o Brasil precisa de juros elevados, em relação aos pares, para conseguir convergência?”. A resposta dele? Ressaltou haver elementos conjunturais e estruturais.
Leia mais: CEO Conference 2026 | BTG Pactual – Dia 1
Oportunidades e Estratégias: Investindo em 2026
Na sequência, o evento debateu estratégias de investimentos em meio ao cenário atual de geopolítica e de eleições.
André Lion, sócio e CIO da Ibiuna Investimentos, explicou que o Brasil está muito bem posicionado para se aproveitar do movimento estrutural de realocação de ativos. O outro convidado, Leonardo Linhares, sócio da SPX Investimentos, acrescentou que Trump “tratou mal o capital” e contribui para esse cenário com as incertezas geradas.
No que diz respeito às eleições, Linhares foi firme em sua opinião: “eu não vou dormir tranquilo se tiver a continuidade desse governo.” Nas perspectivas de futuro, ele analisou que “o governo atual é mais fraco do que parecia”, em chances de reeleição. Lion também disse que fica “ansioso com a continuidade do governo”. “O problema é que o Brasil vai continuar numa situação extremamente frágil”, disse. Contudo, não acredita que será um cenário muito diferente com a vitória desse governo.
Oportunidades e Desafios no Setor Energético Brasileiro
O ministro Alexandre Silveira, de Minas e Energia, começou sua participação destacando o potencial que o Brasil tem na transição energética, o líder desse movimento. Por outro lado, criticou o fato de o país ter uma das energias mais limpas do mundo, mas, ao mesmo tempo, uma das mais caras. Ainda completou: “Precisamos ser reconhecidos pela pluralidade energética”.
A China ganhou espaço no debate, principalmente sobre eletrificação. O ministro destacou a dominância do país asiático no setor e como conseguiram agregar nas cadeias de terras. Neste cenário, ele comentou uma iniciativa de intercâmbio de profissionais brasileiros na China e, quando voltarem, estarão vinculados ao governo para agregar na indústria.
Além disso, afirmou que o governo vai reajustar os preços-teto do Leilão de Reserva de Capacidade após reação negativa. Silveira também defendeu o licenciamento da Margem Equatorial, segundo ele, a grande conquista de Lula. Ele explicou que o país não pode “preterir o petróleo” e que a iniciativa “vai transformar o Norte do país”.
Para encerrar, reafirmou seu apoio à reeleição do presidente Lula. “Lula está muito dedicado e focado no Brasil. Desconheço alguém que tenha o respeito que o presidente tem no mundo, inclusive com o Trump”, finalizou.

Reflexões: o Brasil e o Mundo em 2026
Na parte da tarde, André Esteves, chairman & sócio sênior do BTG Pactual, começou o debate com o cenário político. “Quem for sentar na cadeira ano que vem não vai pegar terra arrasada. Economia, para mim, não é um grande problema”, disse, contudo ponderando que ainda falta sustentabilidade para a trajetória da dívida.
Ele foi convidado a analisar o cenário para as eleições. Ele acredita que o senador Flávio Bolsonaro tem chances, mas que o pleito está 50/50: “será uma eleição competitiva”. Apesar do equilíbrio, destacou que Lula pode ter uma vantagem por toda a experiência em campanhas políticas.
Esteves disse que a percepção geral é de que o risco político no país diminui. O comentário foi feito após ser perguntado sobre a entrada de recursos de investidores estrangeiros. Logo após, complementou dizendo que isso merece ser celebrado e que o “Brasil é institucionalmente confiável”.
Do ponto de vista internacional, vê com bons olhos o interesse norte-americano pela América Latina. “Podemos discordar de algumas questões, mas no geral vejo como positiva”, opinou.
Entrevista com Flávio Bolsonaro
O senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro, foi outro nome que marcou presença no CEO Conference.
O seu painel começou com ele contando a história da sua vida, falando sobre as filhas e esposa, e depois sua carreira na política. Como era esperado, elogiou o mandato de Jair Bolsonaro e criticou a prisão de seu pai, que a definiu como uma situação de “injustiça”. “Uma pessoa inocente não merece passar pelo que ele está passando”, afirmou.
Questionado sobre sua candidatura, Bolsonaro defendeu o diálogo depois que foi perguntado se a sua relação com as outras instituições seria de embate como foi a de seu pai. “Acredito que vamos ganhar essa eleição com o cérebro e não com o fígado”, disse. Ele também sinalizou que, se for eleito, pretende manter programas sociais e cortar impostos.
A relação com o governador Tarcísio de Freitas foi tema de debate. O senador descreveu um clima amigável com o político quando foi perguntado se a decisão de Bolsonaro escolhê-lo como o nome da direita foi acertada, a qual ele disse que sim. “O Tarcísio é alguém com quem tenho uma relação muito boa, apesar das tentativas da imprensa de criar animosidade entre a gente. O meu amigo que faz um governo muito bom em SP”, comentou.
Ainda sobre a candidatura, ele respondeu sobre Romeu Zema ser o vice, possibilidade que não foi descartada e que seria um “bom nome” para a posição. A possível equipe econômica também foi tema, mas Bolsonaro escondeu o jogo e explicou que ainda é muito cedo para falar disso. Contudo, não poupou o atual ministro da Fazenda: “com certeza vai ser muito melhor que o Haddad”.
Por falar no atual governo, o pré-candidato fez inúmeras críticas a Lula e sua equipe. Ele afirmou que essa eleição não vai ser mais sobre Lula e Bolsonaro, “mas, sim, o caminho que o Brasil quer seguir: o da prosperidade ou das trevas”. O senador ainda comparou o atual presidente com um carro velho que um dia já serviu, mas hoje não leva a lugar nenhum e “bebe igual” a um. Haddad foi chamado de “o melhor ministro do Paraguai”.
Inteligência Artificial e Investimentos em Tecnologia
Já na reta final do evento, a inteligência artificial ganhou destaque. John Lindfors, cofundador da DST Global, disse que acompanha o desempenho de machine learning há mais de 12 anos. “Pensamos que, desde o início, ter uma exposição no setor de inteligência artificial. Escolher uma empresa contra a outra não era tão fácil. Vimos as grandes empresas surgindo e, por isso, criamos esse portfólio”, explicou.
Por fim, contou que a visão deles sobre o futuro da tecnologia “é que muitos setores vão ser impactados pela IA. Agora, estamos focados em indústrias que vão ser impactadas e buscamos empresas nesses setores”.
Cenário Político 2026
O evento terminou com Gilberto Kassab, Sec. de Rel. Institucionais de São Paulo e Presidente Nacional do PSD. Para ele, Tarcísio é o melhor candidato para a Presidência “por sua experiência, por governar São Paulo, por ter a perspectiva de vitória mais consistente frente ao atual governo”. Entretanto, afirmou que o governador fez certo ao apoiar Flávio Bolsonaro.
Sobre o Flávio, Kassab disse que ele e Lula têm rejeição, por isso, há espaço para uma candidatura de centro. Neste sentido, confirmou que a “chance de o PSD não ter candidato é zero”.
Para encerrar o evento, ainda negou qualquer chance de ser vice de Lula e falou que não é candidato a nada, mas que, se surgirem circunstâncias para isso, não fecha as portas.
Este conteúdo é produzido pela PORTOFINO MULTI FAMILY OFFICE e fomenta o diálogo sobre a política e o empresariado brasileiro. A nossa opinião é neutra e não é partidária.
por Raphael Fernandes | 10 fev 2026 | Family Office, Wealth management
(Tempo de leitura: 13 minutos)
O que você precisa saber:
Nesta terça-feira (10), aconteceu o primeiro dia do CEO Conference Brasil 2026, evento promovido pelo BTG Pactual, que contou com a presença de diversas figuras importantes do cenário político e econômico, como o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, entre outros.
Cenário Econômico 2026
O evento começou com o ministro Fernando Haddad. Desde que anunciou que não continuaria na Fazenda, as expectativas são para quando ele irá sair e quem será seu substituto. Entretanto, ele disse que ainda não há data para sua saída e que ainda tem “últimas aparições” para fazer. Além disso, Haddad preferiu não cravar quem será seu substituto – Dario Durigan, secretário executivo do ministério, é apontado como o favorito – e evitou falar sobre os planos do presidente Lula para seu nome nas eleições. O ministro também aproveitou o espaço para fazer um balanço de sua gestão. Segundo ele, seu sucessor vai encontrar uma situação melhor do que quando ele entrou e citou que o seu grande legado é a reforma tributária: “o Brasil vai se tornar ainda mais atrativo aos investimentos também em função da reforma tributária”.
O Banco Central também foi pauta do evento. Apesar de ter afirmado que não vê razões para o atual nível de juros reais no Brasil, Haddad ponderou ser muito importante “cuidar” do BC. Ele ainda completou que a autarquia pode contribuir muito ou prejudicar muito os governos e o país. Por fim, a política fiscal, a qual o ministro afirmou que o nível da discussão tem baixa qualidade técnica. Em sua crítica, ele argumentou que o tema tem sido explorado pela imprensa e “monopolizado por desinformação”.
Leia mais: CEO Conference 2026 | BTG Pactual – Dia 2
Congresso Nacional em 2026: Perspectivas e prioridades
Na sequência, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, participou do evento. Também questionado sobre o Banco Central, ele foi categórico ao dizer que “não vamos pautar a revisão da autonomia do BC”. Para ele, a instituição precisa funcionar sem interferências.
A escala 6×1, outra pauta de grande repercussão na sociedade, Motta comentou que pretende votar a proposta em maio, mas vai conversar com Lula sobre o projeto. Por falar no presidente, Motta avaliou que Lula precisará entrar na agenda fiscal em 2027 caso seja reeleito para um quarto mandato.
Ele também analisou que a questão fiscal não estará no centro do debate eleitoral que, em sua visão, estará focado em temas do dia a dia da população. O político comentou sobre os aumentos de impostos do governo, afirmando que não vê mais espaço para essa abordagem em 2026. Para ele, “o Congresso pôde, ao longo dos últimos três anos, e mais especificamente em 2025, pactuar com o governo todo o aumento de arrecadação baseado na elevação de taxas e de impostos. Eu não vejo mais janela para aprovação de aumento de tributos no ano de 2026”.
Fireside Chat: Scott Bessent, Secretary of the Treasury of the United States
Para finalizar a parte da manhã do evento, em videoconferência, Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, falou sobre a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Fed. Ele contou que participou do processo junto a Donald Trump e que ambos procuravam por alguém de “mente aberta”. Bessent disse que muitas pessoas perguntam para onde eles estavam olhando, se era alguém que fosse baixar os juros, mas, na verdade, queriam alguém de mente aberta. A experiência de Warsh com tecnologia e inteligência artificial também contribuiu para a seleção.
A inteligência artificial seguiu em debate quando o assunto foi os possíveis impactos da tecnologia no mercado de trabalho. Em análise, o secretário foi otimista quando afirmou que “historicamente, quando temos um boom de produtividade, há também um boom de empregos” e que o conhecimento em IA agrega muito valor para as pessoas. Não tinha como não falar em tarifas. Um dos grandes temas do governo Trump se destacou quando Bessent enfatizou que o final da política de tarifas “é a reindustrialização e o reequilíbrio da economia”. O debate do painel ainda se estendeu para uma análise global das relações internacionais.
- Venezuela: segundo o secretário, as pessoas no governo da Venezuela estão cooperando e acha possível ter eleições diretas no país. A parceria “é muito boa”, disse.
- Brasil: destacou que a relação entre os presidentes é de diálogo após um início turbulento.
Quando se fala de América Latina, ele analisou que o momento é “extremamente empolgante”. “Eu acho que esta é uma oportunidade geracional [para redesenhar as relações]”, disse Bessent, e citou a Argentina como exemplo da atuação norte-americana recentemente.
- China: a situação é bem confortável, caracterizou o secretário. “Queremos que nossa rivalidade seja justa. Não queremos nos afastar da China”.
TCU: Controle, Transparência e Desenvolvimento Econômico
O presidente do TCU, Vital do Rêgo, abriu os trabalhos da tarde com falas sobre as eleições de 2026. Questionado sobre o período em que as urnas eletrônicas foram colocadas em dúvida, ele foi firme: “contestar as urnas eletrônicas do Brasil era um plano que tinha objetivos claros. E agora todo mundo está sabendo qual era”. Além disso, fez questão de ressaltar a confiabilidade das urnas para a próxima eleição.
Para não ficar de fora do tema do momento, o presidente foi aplaudido pela plateia ao responder sobre a autonomia do Banco Central: “O BC é uma agência reguladora, então defendo sua total independência. Debater essa questão é um retrocesso absurdo”. 
O Futuro da Infraestrutura no Brasil
Neste painel, o ministro dos Transportes, Renan Filho, citou que, enquanto o governo Bolsonaro fez apenas 6 leilões em rodovias, o governo Lula irá realizar 36, com R$ 400 bilhões contratados. Ele aproveitou o espaço para ressaltar como o Brasil tem todos os ingredientes necessários para seguir em um “ciclo virtuoso” em infraestrutura. Segundo o ministro, o país se destaca em quatro pontos: projetos rentáveis na comparação internacional, a agenda de sustentabilidade, um mercado de capitais sofisticado e a relação internacional do Brasil. “O Brasil está em máxima histórica de investimento em infraestrutura”, disse.
Junto no debate, Silvio Costa, ministro dos Portos e Aeroportos, destacou as concessões no setor ao longo dos últimos anos. “Hoje, temos em contratos assinados mais de R$ 500 bilhões em todas as áreas de concessões”, afirmou. Assim como seu colega ministro, ele também comparou o governo Lula com o de Bolsonaro. Ele analisou que, em três anos de Lula 3, já foram mais de R$ 30 bilhões de concessões, enquanto no do ex-presidente, R$ 5 bilhões. Ele também citou o Banco Central e a política monetária, a qual “não tem por que a autoridade segurar a taxa de juros em 15%”. Em adição, aproveitou o espaço para defender e exaltar a importância da autonomia do BC.
Perspectivas da Macroeconomia Brasileira
Já na reta final, Eduardo Loyo, sócio do BTG Pactual, comentou as perspectivas da política monetária dos Estados Unidos. Na sua visão, uma abordagem que priorize a redução da inflação para a meta lhe agrada mais, mas entende a predisposição para o corte de juros. Ele ainda comparou que as condições para cortar os juros nos EUA são muito mais desfavoráveis do que no Brasil. Samuel Pessôa, pesquisador macroeconômico do banco, complementou: o comportamento de Trump só atrapalha o trabalho da condução de política monetária.
Aplaudido pelos presentes ao finalizar sua fala, Mansueto Almeida, sócio e economista-chefe do BTG Pactual, foi firme em sua crítica à situação fiscal e afirmou que, independentemente do vencedor da eleição presidencial, o próximo governo terá de conter o crescimento das despesas. Para o ex-secretário do Tesouro Nacional, a estratégia do atual governo não é sustentável – aumentar a arrecadação para cobrir as despesas. “Não podemos repetir nos próximos quatro anos o que foi feito nos últimos”, explicou. Ele também criticou o arcabouço fiscal, que inicialmente foi bem aceito, mas depois, segundo ele, perdeu a credibilidade com a criação de programas fora da regra.
O outro painelista, Tiago Berriel, sócio e estrategista-chefe, falou sobre política monetária brasileira. “É difícil fazer um ciclo de flexibilização monetária em ano eleitoral devido à variação do câmbio e ao expansionismo da política fiscal”, disse. E foi mais analítico: como o banco central vai reagir a esses riscos? Ele pensa que a autoridade pode começar com um ritmo mais lento de cortes e, a depender de como o ano se desenvolve, aumentar o ritmo.
Outlook de Grandes Gestores
Por fim, o primeiro dia terminou com o tradicional debate entre gestores.
André Jakurski, sócio-fundador da JGP, discorreu sobre os riscos geopolíticos, especialmente com o risco que ele definiu como “problema sério” em Taiwan. Sobre o Brasil, sua interpretação é de que o mercado ainda não está pensando em eleição, e acredita que, se o Lula for eleito para um quarto mandato, não haverá nada de novo.
A fala de Luís Stuhlberger, sócio-fundador da Verde Asset, sobre os Estados Unidos, se concentrou no campo político, onde demonstrou sua preocupação com as eleições de meio de mandato. Segundo ele, hoje há uma projeção de 38% e 100% de Trump perder o Senado e a Câmara, respectivamente. Para o Brasil, em caso de um Lula 4, ele concorda com a visão de André Jakurski de que não haverá uma reação instantânea. Contudo, ele alerta que a diferença desta vez é o cenário: maior dívida pública, juros mais altos e a carga tributária mais alta da história.
Encerrando a roda de conversa, Rogério Xavier, sócio-fundador da SPX Capital, acha que o Fed vai continuar cortando juros com Kevin Warsh. No campo da geopolítica, ele expôs uma visão diferente dos outros participantes quando diz acreditar que não vai ter uma agressão da China a Taiwan. “Vejo uma questão mais política do que militar”, explicou. Quanto ao Brasil? Para ele, as eleições são 50/50 – ou seja, não há nada definido. Entretanto, mesmo com essa divisão, disse que não haverá uma ruptura depois do resultado. Terminou a participação levantando uma provocação a todos os presentes: qual o motivo para as pessoas não discutirem o fato de ter um presidente com 81 anos? O CEO Conference Brasil 2026 retorna nesta quarta-feira (11) com outros nomes importantes.
Este conteúdo é produzido pela PORTOFINO MULTI FAMILY OFFICE e fomenta o diálogo sobre a política e o empresariado brasileiro. A nossa opinião é neutra e não é partidária.
Imagem em destaque: Roque de Sá/Agência Senado
por Raphael Fernandes | 9 fev 2026 | Family Office, Planejamento, Sucessão, Wealth management
(Tempo de leitura: 2 minutos)
Há um novo projeto de lei em tramitação sobre o Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF), apresentado na última semana na Câmara dos Deputados.
Resumo – Projeto de Lei Complementar nº 5 de 2026
- Grandes fortunas: patrimônio superior a R$ 10MM, descontadas as dívidas.
- Alíquotas: de 1% a 3%, conforme tabela abaixo.
- Contribuintes: (i) pessoas físicas residentes e domiciliadas no Brasil; (ii) não residentes, que tenham patrimônio no Brasil superior a R$ 10M.
- Base de cálculo: como regra geral, a avaliação dos bens e direitos será pelo valor de mercado.
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- Tramitação: o projeto será analisado pela Câmara dos Deputados. Se aprovado, seguirá para o Senado Federal. Na sequência, após a aprovação nas duas casas, segue para sanção ou veto presidencial.
- Se o texto for aprovado ainda em 2026, passaria a valer apenas em 1º de janeiro de 2027.

por Raphael Fernandes | 6 fev 2026 | Family Office, Investimentos Internacionais
(Tempo de leitura: 4 minutos)
O que você precisa saber:
- A tensão gerada com a ofensiva norte-americana expõe as fissuras dentro da Otan;
- Washington argumenta que o território é essencial para o projeto “Domo de Ouro”;
- O governo dos Estados Unidos demonstra preocupação com a presença da China e da Rússia no Ártico
Não é exagero dizer que a Groenlândia virou, de repente, um espelho das tensões do mundo atual. Um território glacial, pouco povoado e distante dos grandes centros de poder passou a concentrar disputas que misturam defesa, recursos naturais e a desconfiança crescente entre aliados históricos. O episódio revela menos sobre a ilha em si e muito mais sobre a fase da política externa dos Estados Unidos. E o estado das relações internacionais.
A insistência de Donald Trump em comprar a Groenlândia, e a disposição retórica de ir além disso, não pode ser lida como uma excentricidade isolada. Ela faz parte de uma lógica mais ampla, marcada por uma visão transacional das alianças e pela centralidade absoluta da segurança nacional.
O argumento central de Washington gira em torno do chamado “Domo de Ouro”, um sistema de defesa inspirado no modelo israelense e pensado para detectar e interceptar mísseis antes que atinjam o território norte-americano. A lógica é simples: a posição geográfica da Groenlândia, no coração do Ártico, é privilegiada.
🔎 Aprofunde-se: Esta matéria da BBC explica melhor esse sistema de defesa
Por outro lado, o que a geopolítica diz atualmente é que o Ártico aumentou a sua importância. O processo de aquecimento global não é apenas sobre o meio ambiente. Neste caso, ele está contribuindo para uma disputa estratégica muito mais profunda: novas rotas comerciais e valor militar da região.
É nesse contexto da história que os dois antagonistas dos Estados Unidos, a China e a Rússia, ganham espaço no roteiro. O avanço da presença desses dois atores na região evidencia a preocupação norte-americana e a importância estratégica da região.
E, atualmente, ao se falar em estratégia, no contexto geopolítico das relações internacionais, são as terras raras quem têm mudado de lugar as peças do tabuleiro. Na história que estamos contando aqui, não é diferente, já que o domínio chinês na produção e processamento desses minerais têm feito o Ocidente – leia-se EUA e Europa – suar frio.
A Groenlândia, rica em terras raras em seu terreno pouco explorado, surge como uma alternativa estratégica no longo prazo em diminuir a dependência de Pequim.
A estratégia é vista com bons olhos pelo pessoal lá em Washington. Para os outros 31 membros da Otan não é bem assim. A ofensiva norte-americana causou um grande desconforto – para não falar crise – dentro da aliança. Ao flertar com a anexação de um território sob soberania de um país-membro, fissuras e dúvidas foram expostas sobre a força do multilateralismo. A ameaça de tarifas contra países contrários ao plano só aprofundou essa sensação de instabilidade.
“Nunca vimos isso antes. Um aliado, um amigo de 250 anos, considerando usar tarifas como arma geopolítica”, declarou o ministro das Finanças da França, Roland Lescure.
Quando Trump descartou o uso de força militar e aliviou o discurso sobre as tarifas retaliatórias, o sangramento foi contido, mas a ferida ainda segue longe de cicatrizar.
As conversas “construtivas” entre Estados Unidos e Dinamarca restabelecem o diálogo. De toda forma, para além de terras raras, segurança nacional e rotas comerciais, a crise na Groenlândia também expõe como alianças e relações que uma vez já foram sólidas e hoje vivem sobre a corda bamba de incertezas.

por Raphael Fernandes | 27 jan 2026 | Family Office, Multi Family Office, Wealth management
(Tempo de leitura: 4 minutos)
O que você precisa saber:
- O presidente do BC entra em seu segundo ano no cargo
- A autoridade monetária justifica a “condução cautelosa” dos juros com a desaceleração da inflação
- Em ano eleitoral, as incertezas podem ser um fator na condução da política monetária
Em 2025, começamos o ano falando sobre “O – primeiro – grande dia de Gabriel Galípolo”. À época, o foco estava na expectativa em torno de sua estreia à frente do Banco Central, marcada por uma decisão de juros cercada de simbolismo. Um ano depois, iniciamos este novo texto olhando para “O – segundo – grande ano” de Galípolo.
Ao observar 2025 em retrospecto, fica claro que o presidente do BC manteve uma condução técnica e consistente, dissipando as dúvidas sobre uma eventual abertura a interferências políticas. O receio, naquele momento inicial, era de que o governo pudesse exercer influência sobre a política monetária, especialmente diante da pressão que havia recaído sobre seu antecessor, Roberto Campos Neto, para acelerar os cortes na taxa de juros.
Hoje, essa não é mais uma questão. Ao longo de todo o último ano, o Copom adotou uma postura técnica e independente, mesmo sob pressão do governo federal, ainda que menos intensa do que na gestão anterior. O resultado dessa estratégia foi uma elevação da Selic para 15% ao ano, o maior patamar em duas décadas, evidenciando a disposição da autoridade monetária em priorizar o controle inflacionário, ao passo em que o governo injetava liquidez via benefícios sociais e reajuste do salário mínimo.

Fonte: Banco Central
O BC tem dito claramente que uma desaceleração, ou seja, um ritmo menor de crescimento da economia, faz parte da estratégia de conter a inflação no país. A explicação é que, com um ritmo menor de crescimento, há menos pressões inflacionárias, principalmente no setor de serviços – um dos principais focos de atenção da política monetária.
Na ata da última reunião, o Banco Central avaliou que a “condução cautelosa” da política de juros tem contribuído para se observar ganhos de desaceleração da inflação. Ainda, reafirmou o “firme compromisso” com a missão de levar a inflação à meta e que o cenário atual prescreve uma política “significativamente contracionista por período bastante prolongado”.
Em linha com esse discurso, a inflação de 2025 fechou no teto da meta. O resultado de 4,26% foi o quinto menor desde 1995. Ainda assim, a resiliência da inflação de serviços, uma das variáveis mais sensíveis para o BC, segue pressionando.

Fonte: IBGE
Usada como termômetro de pressões de demanda sobre os preços, o indicador acelerou de 0,60% em novembro para 0,72% em dezembro, decorrente, dentre outros fatores, de pressões sazonais.
Agora, com a manutenção da taxa de juros em 15% ao longo dos últimos meses, crescem as expectativas para o início de um eventual ciclo de afrouxamento da política monetária. Na outra ponta, porém, as incertezas de um ano eleitoral – mais um que promete polarização elevada. Ou seja, a tendência é de aumento de gastos – o famoso “kit reeleição”, postura natural para qualquer governo no último ano de mandato. E a lógica é conhecida: quando o fiscal acelera, a política monetária tem que ser mais ativa.
Seguimos acompanhando todos os próximos passos.

Imagem em destaque: Jose Cruz/Agência Brasil
por Raphael Fernandes | 21 jan 2026 | Family Office, Lifestyle
(Tempo de leitura: 4 minutos)
O que você precisa saber:
- A Turnbull & Asser vestiu inúmeras personalidades e ganhou destaque na franquia 007
- A marca é uma das principiais alfaiatarias de luxo da Inglaterra
- Foi reconhecida com uma distinção concedida a empresas que fornecem bens ou serviços à Família Real
Antes mesmo de ser associada à realeza britânica ou às vitrines discretas da Jermyn Street, a Turnbull & Asser já havia conquistado outro território: o imaginário. Foi vestindo o icônico agente James Bond que a marca ajudou a consolidar o ideal de elegância masculina. Camisas impecáveis, punhos precisos, nada em excesso. Nas telonas, o espião desvendava crises globais, enquanto o seu estilo ditava tendências que iam perdurar gerações.
A empresa por trás dessas camisas havia sido fundada décadas antes, em 1885, por John Arthur Turnbull e Ernest Asser. Londres era outra, o ritmo era outro, mas a ideia já estava clara: fazer roupas que começassem no papel e terminassem no corpo. O “bespoke” ali não era promessa, era método. Medir, cortar, ajustar, repetir.
Ao longo do tempo, esse método atraiu uma clientela que dispensava apresentações. Winston Churchill, Charlie Chaplin, Pablo Picasso, Ronald Reagan, John Lennon, Eric Clapton. O então Príncipe Charles tornou-se cliente habitual. Anos depois, o traje usado pelo Príncipe William em sua fotografia oficial de noivado sairia da mesma casa.
A trajetória da marca se confunde com a própria história britânica do século XX. Durante a Primeira Guerra Mundial, a Turnbull & Asser ganhou notoriedade ao desenvolver o Oilsilk Combination Coverall and Ground Sheet, uma peça leve que funcionava tanto como capa impermeável quanto como lona de solo para o Exército Britânico.

A parceria com o 007 marcou gerações. Foi Sean Connery, em 007 contra o Dr. No, que vestiu as camisas da Turnbull & Asser, que se destacaram por suas particularidades: punhos fechados por botões, não por abotoaduras. Um detalhe que se tornou assinatura. A relação com Bond foi duradoura, chegando aos filmes mais recentes com Daniel Craig.
O estiloso superespião britânico não foi o único da sétima arte a vestir a marca. Em Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge, o Coringa de Heath Ledger usava gravatas Turnbull & Asser.
Nos anos 1920, a Turnbull & Asser ampliou seu portfólio com roupas esportivas, peças prontas para vestir e ternos. Décadas depois, o catálogo incluiria pijamas, roupões de seda, smokings de veludo e acessórios diversos. Durante a pandemia, as oficinas produziram equipamentos de proteção individual para o NHS (Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido).
Para coroar essa história, a marca foi reconhecida com a concessão do Royal Warrant pelo Rei Charles III, uma distinção concedida a empresas que fornecem bens ou serviços à Família Real.
Assim, mais do que todas as personalidades que já vestiram a marca ou reconhecimentos Reais, a tradição é o que mantém a história viva. Foram duas guerras mundiais, momentos marcantes com a Família Real e outros eventos. Mas não importa, a identidade que fez a alfaiataria uma das mais tradicionais do mundo segue intacta. Isso é legado.